A Natureza
Foto: Eduardo Bernardino
A fauna da região é rica e exuberante. Lá se encontram espécies variadas como siriemas, araras, emas, tucanos, gambás, capivaras, tamanduás e até o ameaçado lobo-guará

A Natureza:
O cerrado é mais devastado do que a Amazônia

Domingo, 17 Abril 2011 Eduardo Bernardino Pedro Cattony | Do Caravana

O Parque Estadual do Jalapão (PEJ) é uma grande área de Cerrado localizada à leste do Tocantins. Essa região possui uma área estimada em mais de 43 mil km². Apesar de ser conhecido como "deserto do Jalapão", é fácil perceber que o local está longe disso, dado o grande número de rios, cachoeiras e veredas presentes no parque.

O PEJ é banhado pelos rios Sono, Soninho, Novo, Balsas, Preto e Caracol, em torno dos quais formam-se belas áreas de mata ciliar que chamam a atenção pelo verde exuberante que contrasta com a aridez do Cerrado. As concentrações de pés de Buriti em meio à terra seca denuncia a presença das muitas veredas presentes, um grande alívio frente aos 30º de temperatura média anual.

Ainda assim, a região com água abundante preserva em sua paisagem o que torna o cerrado tão distinto dos demais ecossistemas: árvores com troncos retorcidos, folhas pequenas e cobertas por cera que as tornam duras e impermeáveis, cascas grossas e raízes longas. Dentro todas as espécies da rica flora, talvez, as mais conhecidas sejam pau-terra, pau-santo, barbatimão, pequi, araticum, murici, buriti, olho de boi, ipê roxo e o famoso capim-dourado.

A fauna é muito rica e animais podem ser avistados facilmente. Encontram-se no Jalapão exemplares de siriemas, araras, emas, tucanos, gambás, capivaras, tamanduás e até o ameaçado lobo-guará.

O turismo e suas abordagens que visam alcançar a sustentabilidade snao de extrema importância em um ecossistema que vem sendo cada vez mais ameaçado pela pecuária extensiva, lavouras de soja, construção de barragens e plantações de eucalipto para produção de carvão e celulose. Isso tudo porque o Cerrado ainda é visto pelos menos atentos como uma área sem vida.

No mundo, 34 regiões são consideradas áreas prioritárias de conservação, duas destas regiões estão no Brasil e umas delas é o Cerrado (a outra é a Mata Atlântica).

Estima-se que mais de 50% da área de Cerrado no Brasil já tenha sido destruída, e esse número continuará aumento enquanto este bioma for visto apenas como uma fronteira agrícola a ser explorada.

O maior problema desta devastação é que o Cerrado apresenta alto endemismo de espécies, ou seja, espécies que são encontradas apenas neste local estão sendo destruídas a uma velocidade alarmante. As estimativas mais conservadoras afirmam que estamos perdendo 1,5% do Cerrado ao ano, ou seja, três milhões de hectares ao ano.

Isso é equivalente à área de 2,6 campos de futebol por minuto, tornando o desmatamento maior do que na Amazônia.

Neste contexto, a Unidades de Conservação se mostram de grande importância para afastar o risco da extinção de espécies e o esgotamento de alguns recursos naturais. Sem contar com olhares de interesse internacional, o Cerrado ainda é deixado de lado e tem apenas 4,1% do bioma protegidos por UCs (unidades de conservação).

Um dos trabalhos mais importantes e condizente com o desenvolvimento sustentável foi a elaboração de regras para a colheita das hastes do capim-dourado para confecção do artesanato local. Com isso, o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) provou que o extrativismo planejado e responsável pode gerar renda aos moradores da região, que hoje se organizam em cooperativas.

Compartilhe

Comentários

  • natally
    natally
    02 Julho 2011 at 10:34 |

    que legal muitooooo lindo

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x