Mergulho para a vida
Foto: Arquivo pessoal
Mário durante mais um mergulho em alto-mar
Mergulho para a vida
Foto: Arquivo pessoal
O ainda agente financeiro, de chapéu e com sobrepeso
Mergulho para a vida
Foto: Arquivo pessoal
Mário (à direita) em uma expedição em alto-mar
Mergulho para a vida
Foto: Arquivo pessoal
Em ação, agora já como instrutor de mergulho
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Mergulho para a vida

Quinta, 20 Janeiro 2011 16:43
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Mario Garcia Cardella largou tudo pelo amor ao mergulho e à vida. Aos 47 anos, conta como se livrou do sobrepeso e do estresse que ameaçavam sua saúde

Se você ainda busca um motivo para mudar de vida, abandonando o sedentarismo e valorizando o bem-estar, leia então a história a seguir de Mario Garcia Cardella, um mergulhador apaixonado, mas que já foi um gerente financeiro da Bolsa de Valores, cargo que lhe rendeu dinheiro, poder, mas também 129 quilos e um estresse que o levaria certamente à morte se insistisse em viver apenas para a profissão. “Trabalhava 15 horas por dia. Troquei minha vida financeira por qualidade de vida”, diz hoje, orgulhoso.

Nascido em São Paulo, filho mais velho entre quatro irmãos, Mario, de 47 anos, passou a infância na Espanha, retornando ao Brasil aos 11 anos de idade. Iniciou sua carreira no mercado financeiro como office boy, juntamente com um amigo. Em 1989, graduou-se no curso de Economia da USP e foi subindo na carreira de economista. O sucesso veio rápido. O estresse também...

Trabalhou em várias corretoras nos 17 anos dedicados aos trabalhos na Bolsa de Valores de São Paulo e chegou ao cargo de gerente financeiro.

A paixão pelo mergulho cresceu aos poucos, fruto das escapadas de final de semana para tentar fugir do estresse da semana: “Não lembro o nome exato do que eu tive, mas fiquei 15 dias sem dormir, “pilhado” com os problemas do trabalho e da família. Eu era um escravo e cheguei a pesar 129 kg”, relembra.

Encantado com a vida marinha, Mario fez vários cursos e começou a pensar em montar uma escola de mergulho. O “start” para a mudança de vida, no entanto, veio no dia em que viu um amigo, aquele que havia iniciado a carreira com ele, morrer de um infarto durante o pregão: “Eu ficava numa sala de onde eu conseguia ver todas as mesas de operação e lá de cima eu vi esse meu amigo caindo. Ele já caiu morto, foi fulminante.”

Na época, ambos tinham a mesma idade: 35 anos. Depois disso, bastaram dois dias para que Mário deixasse a corretora. E sem volta... “A corretora onde eu trabalhava começaria a operar na Bolsa de Nova York. Meu amigo morreu numa terça-feira, na quarta-feira foi o enterro e na no dia seguinte eu estava reunido com meu chefe e os executivos do Bank Boston. Eu havia elaborado todo o projeto e no meio da reunião eu virei e anuncie minha saída: Olha, eu estou indo embora”, anunciei, à época.

Sem arrependimentos

No entanto a mudança de vida lhe trouxe privações e verdadeiras provações. Mario acabou se separando da mulher e levando também uma rasteira de um amigo que construíra com ele um barco, sendo obrigado a começar do zero.

Sem arrependimentos, o mergulhador morou em Bonito (MS), Fernando de Noronha (PE), Bombinhas (SC), México, Abrolhos (BA), Cuba, Bonaire, Costa Rica... “Sem grana e mergulhando eu conheci um monte de lugar no mundo. Enquanto eu trabalhava no mercado financeiro eu não viajava, não tinha tempo”, ressalta, deixando claro a felicidade com a mudança de vida, apesar de todos os problemas enfrentados.

Hoje, com dois filhos e um neto a caminho, ele vive há 18 anos do mergulho. Mario se orgulha do legado que está deixando em vida. Fundou associações de mergulho que existem até hoje, ajudou na criação de parques nacionais, envolveu-se em projetos junto a populações caiçaras, participou da descoberta de dois naufrágios na Bahia que se tornaram pontos turísticos.

“De alguns lugares eu saí expulso, de outros saí ameaçado de morte, quando você faz as coisas sem fins lucrativos você acaba mexendo com pessoas que não são legais”, avisa. “Mas tudo que eu fiz gerou frutos pras pessoas que estão lá até hoje e que estão colhendo esses frutos, eu deixei um legado e isso é muito legal. Não me trouxe nenhum benefício financeiro, mas melhorou a vida das pessoas”.

Tendo o francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997) como ídolo, seu plano para o futuro está definido: comprar um veleiro e mergulhar em todos os lugares do mundo, conhecendo culturas diferentes e levar sua experiência a quem precisar, além de disseminar o conhecimento por meio de emissoras que quiserem comprar o material produzido.

“Eu sei que não vou ficar rico, mas posso viver muito bem e passar meu conhecimento pra frente. O que há na cabeça de uma pessoa morre junto com ela, então preciso continuar ensinando tudo que aprendi”.

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Comentários

  • Adriano
    Adriano
    30 Janeiro 2011 at 11:31 |

    Parabéns! Acredito que muitas pessoas que leram essa matéria gostaria de fazer o mesmo...mas infelizmente falta na realidade é coragem para dar uma "bica" em tudo e fazer o que realmente sinta prazer em fazer, espero algum dia ter essa coragem...Valeu!

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