Superação por amor ao esporte
Foto: Arquivo pessoal
Careca em ação, pegando onda e driblando a deficiência
Superação por amor ao esporte
Foto: Arquivo pessoal
Apesar da deficiência, Careca nunca desistiu do esporte
Superação por amor ao esporte
Foto: Arquivo pessoal
A sua superação virou tema de documentário
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Superação por amor ao esporte

Quinta, 24 Março 2011 10:19
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Careca faz jus ao jargão: "Sou brasileiro, não desisto nunca." Deficiente físico há 13 anos, pratica o surfe adaptado com muita aventura

Superação de limites e qualidade de vida são as palavras que descrevem a vida de Robson de Souza, o “Careca”. Nascido em São Paulo, em 1968, passou a maior parte da infância no Guarujá, onde foi apresentado ao surfe aos 11 anos de idade.

"Sou formado na USP... Universidade Sol e Praia", brinca o surfista que sempre se dedicou ao esporte e trabalhou como produtor de eventos, organizou festas. "Surfava, viajava e curtias as festas, assim era minha vida", conta, relembrando o passado, até que um acidente veio para mudar o rumo das coisas.

"Em 1998, depois um campeonato de surfe, eu peguei carona com um casal de amigos para voltar de Ubatuba. Eu estava no banco de trás, sem o cinto de segurança. A gente estava entre a Praia Grande e as Toninhas e o motorista tentou uma ultrapassagem na curva, então colidiu de frente com o carro que vinha no sentido contrário", lembra, sem traumas.

"A pancada foi bem forte, eu, que tenho 1m88 de altura, fui arremessado de cabeça no para-brisa tive uma lesão cervical, comprometendo os membros inferiores e causando uma tetraplegia traumática. Fiquei 16 dias em coma..."

Mas nada disso fez o surfista e amante da natureza desistir. "Sem o movimento das pernas e, no início, sem mexer os braços, achei que nunca mais fosse voltar ao mar", disse Robson, que nunca aceitou a realidade e passou, na base da garra e força de vontade, a pensar em um jeito de voltar ao mundo das ondas.

De olho na própria recuperação, buscou força no pensamento positivo e naquilo que o meio ambiente podia oferecer. Após algum tempo de fisioterapia, já pensava em como faria para voltar ao mar.

As adversidades não o fizeram desistir, depois de muito tempo tentando entrar no mar com uma prancha normal, sem sucesso, o surfista resolveu desenvolver sua própria prancha, com mais de três metros, adaptada a sua deficiência física. E funcionou! Então passou a desenvolver suas próprias técnicas.

Careca faz hoje muito mais do que fazia antes do acidente, praticando diversas modalidades: surfa, pratica natação, musculação, remada oceânica, faz travessias em pranchas, mergulha, faz rapel, navega, além de enfrentar também os perrengues do off-road, num carro adaptado. Ele participou de um documentário chamado "Aloha", o qual mostra o surfe adaptado sempre buscando qualidade de vida e integração com a natureza.

Na condição de vencedor, Careca divide sua experiência de vida com outras pessoas, dando palestras sobre mobilidade, inclusão de deficientes, aulas adaptadas, acessibilidade...

E manda um recado aos empresários desavisados que não dão ainda a atenção necessária aos deficientes: "As redes hoteleiras, restaurantes e todos os outros prestadores de serviço que se prepararem para receber o turista com deficiência, pois vai ter muito lucro com este público, que hoje conta com 27 milhões de brasileiros."

Feliz com a vida que tem hoje, Robson deseja divulgar cada vez mais a prática de esportes de aventura por pessoas com deficiências. Um bom pico pra surfar, com estrutura para deficientes? Ele diz, de bate-pronto:

"Cara, aqui perto de São Paulo a praia das Astúrias, no Guarujá, a Praia da Baleia, em São Sebastião, porém o deficiente pode encontrar boa estrutura em outros destinos como Ubatuba, Caraguatatuba, Florianópolis, Salvador, Rio de janeiro... Basta querer", avisa, finalizando: "Tem muita gente sem nenhuma deficiência e que não faz nada. O limite está na cabeça de cada um."

Dica: Para saber mais sobre a história do Careca, eventos, guias de acessibilidade, ações sociais, etc., visite o site: "surfespecial".

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