Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
O desafio começa com 31 km de descida em pista de asfalto
Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
A neve e a baixa temperatura obrigam o uso de toca e luvas
Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
Caminhos estreitos e de abismo fazem parte do percurso
Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
O povo boliviano optou por preservar sua rica cultura
Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
A Capital La Paz oferece aventura por um baixo custo
Estrada da Morte: Vem com a gente!
Foto: Livia Melzi
A arquitetura espanhola se impõe na capital boliviana
Compartilhe

Estrada da Morte: Vem com a gente!

Sexta, 03 Junho 2011 14:45
Livia Melzi | Especial para o Caravana

Caravana encarou o desafio de bike pela estrada mais perigosa do mundo, na Bolívia. Respire fundo e desça conosco ladeira abaixo!


Bolívia - Para todos que sonham em colocar a mochila nas costas e conhecer a América Latina, a sugestão é começar pela Bolívia. Além do acesso fácil, da distância razoável e da rica cultura, o país é um local onde a aventura é garantida e os preços são agradáveis até para nós, brasileiros.

O país passa por um momento político interessante. Tradicionalmente governado por setores distanciados do povo, tem com o novo presidente Evo Morales, um líder com forte apelo popular, cujo governo promove profundas mudanças sociais.

Os bolivianos têm grandes expectativas sobre Evo e, em meio às roupas típicas usadas por todas as classes sociais, é muito comum encontrar homens e mulheres vestindo de forma orgulhosa uma camiseta estampada “EVOlucion” no peito.

O último grande feito do governo Evo foi criar a "Lei da Mãe Terra", onde um conjunto de direitos e deveres tem como objetivo mudar a relação do homem com a natureza.

Com essa decisão, pioneira no mundo, espera-se que ocorra uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria em um país que há séculos vem sendo destruído em decorrência da exploração de seus recursos naturais.

A capital La Paz é uma cidade para se conhecer com calma e atenção. A arquitetura espanhola, preservada no centro, se mistura com o povo índio, cor de "terracota".

Igrejas, construções, mercado das bruxas, artesanatos, comidas típicas; viver a cidade com plenitude durante alguns dias é uma experiência inesquecível. O povo boliviano parece não ser influenciado pelas grandes marcas espalhadas pelo mundo e achar um McDonald’s é uma missão quase impossível.

Em La Paz tudo se vende na rua, de roupas a comidas. O famoso chá de coca também é encontrado em todos os lugares e servido antes das refeições em restaurantes de todos os tipos. Os bolivianos optaram claramente por preservar sua cultura acima de tudo.

Além de toda a parte cultural, La Paz oferece esportes de aventura em seus arredores e, sem dúvidas, a Estrada da Morte é um dos mais radicais.

A trilha de bike, que dura o dia todo, é uma das coisas mais emocionantes citadas por mochileiros ao longo do mundo.

Conhecida como Downhill, o passeio é oferecido por agências espalhadas pela cidade, e o preço segue uma lógica toda peculiar. Nós, brasileiros, pagamos 500 bolivianos por pessoa, o que equivale a aproximadamente 115 reais, com tudo incluso. Porém o preço não é o mesmo se você é europeu ou americano, pois aí a taxa pode dobrar, triplicar, depende.

Lá é assim: diga-me de onde és e lhe direi quanto pagarás!

Início do desafio

No dia combinado, antes mesmo de amanhecer, uma van com bikes amarradas no bagageiro passa nos hotéis para buscar os corajosos turistas. O recomendado é levar o mínimo de bagagem possível, apenas um tênis confortável, roupas de banho para o fim do dia e máquina fotográfica pequena.

O carro vai até La Cumbre, uma cidade vizinha a La Paz, situada a 4700 metros de altitude, de onde, no meio da rodovia, se inicia o passeio. Lá a temperatura é muito baixa, e no horizonte vemos Huayna Potosi, uma montanha nevada com mais de 6000 metros.

Depois que todos se vestem e colocam os equipamentos de segurança, a jornada começa. Na primeira parte da descida é fundamental usar gorro, luvas e roupas muito quentes pra aguentar o frio e a neblina, mas o desconforto do vento gelado é recompensado pelo nascer do sol, numa das partes mais lindas do trajeto.

A etapa inicial é de 31 km em estrada asfaltada e o grau de dificuldade é zero. No fim da rodovia há uma parada em um vilarejo de Undiavi, onde o "desajuno" é servido em tendas familiares na beira da estrada.

No meio da simplicidade do local, crianças brincando com animais circulam sempre sorridentes.

Os 33 Km seguintes são de descida perigosa e de beleza incrível. A neve vai ficando para trás junto com a rodovia asfaltada, e logo a paisagem é substituída por floresta tropical e trilha de terra.

Nesse momento entramos na famosa "Estrada da Morte" que chega em Coroico, cidade a 1700 metros de altitude. Essa estrada é considerada a mais perigosa do mundo e segundo os guias, de 2004 até hoje, "apenas" 14 turistas morreram fazendo o downhill.

Não há como saber se a informação é apenas um folclore para aumentar a adrenalina ou se é verídica, mas certamente se todas as orientações de segurança forem respeitadas não há chance de acontecer nenhuma tragédia.

A estrada é estreita e por ela há muita água descendo das montanhas em forma de cachoeiras e bicas. Atravessa-se tudo por um caminho estreito, onde à direita há um abismo e à esquerda um paredão! Depois de algumas horas há uma parada para o lanche no meio da estrada e logo todos voltam a subir nas bikes.

Dali pra frente a temperatura se modifica muito rápido, as roupas de frio são guardadas na mochila, começa o suor e a trilha enche o corpo e os olhos de poeira. A estrada vira um rally de bicicleta no meio de uma fazenda, e lá é o ponto final do trajeto!

Um almoço é servido e uma piscina refrescante fica disponível para os sobreviventes - e ainda há onde tomar banho e voltar para o carro livre da marca marrom de poeira no rosto.

De volta à civilização

De volta a La Paz, todos são deixados no centro da cidade, e depois que tudo acaba a sensação é de ter vivido um filme. A experiência é algo surreal, uma daquelas histórias pra contar por meses aos amigos e familiares.

Apesar de pouco conhecido pelos brasileiros, quem fez o downhill com certeza recomenda, pois não há nada parecido em nenhum outro lugar do mundo.

Muitas operadoras fazem o passeio e o ideal é procurar pela cidade e negociar o preço na hora. Não é preciso reservar nada por agencias aqui do Brasil, fazendo por lá as chances de cair em uma furada são bem menores.

Leia também
  • Notícias Mão na corda

    Turismo sem limites

    No Dia Nacional da Pessoa com Deficiência em Parques e Atrações Turísticas, a Embratur lança programa de incentivo ao turismo de aventura adaptado, numa ação inédita no país

Comentários

  • Emiliano
    Emiliano
    13 Junho 2011 at 12:00 |

    Muito boa a matéria, bem escrita. Além da descrição da aventura tem-se uma boa idéia da cultura local.

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x