Missão: Desbravar as Américas
Foto: Arquivo pessoal
Depois dos parques nacionais, Eduardo Issa quer mais
Missão: Desbravar as Américas
Foto: Arquivo pessoal
Os paredões rochosos de Roraima foram visitados
Missão: Desbravar as Américas
Foto: Arquivo pessoal
Em Lencóis Maranhenses, um caiçara fez malabarismo
Missão: Desbravar as Américas
Foto: Arquivo pessoal
A paisagem pantaneira passou por suas lentes
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Foto: Arquivo pessoal
A aventura proporcionou imagens inesquecíveis
Missão: Desbravar as Américas
Foto: Arquivo pessoal
Atol das Rocas (RN) também esteve em seu roteiro
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Missão: Desbravar as Américas

Quarta, 06 Abril 2011 12:26
Pedro Cattony | Do Caravana

Após percorrer 62 parques nacionais, o jornalista e fotógrafo Eduardo Issa mira agora um outro desafio: cruzar as Américas do Sul e do Norte!

Depois de 11 anos de planejamento, o arquiteto por formação e fotógrafo por vocação Eduardo Issa está prestes a iniciar um projeto ambicioso que é também um sonho antigo: a travessia das Américas.

A ideia é partir de Ushuaia, na Argentina, rumo ao Alaska, nos EUA. O plano surgiu em 1999, porém esbarrou em uma série de dificuldades que acabaram levando Issa, que também é jornalista, a adiar seus planos temporariamente.

Nascido em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, ele se formou em arquitetura e descobriu a motivação para se tornar fotografo em uma visita ao Peru e Bolívia em 1988.

Para ele, uma das viagens mais incríveis da sua vida: "Estava com uma pequena câmera compacta e levei comigo, além dos filmes tradicionais, alguns slides (cromos). Fui registrando momentos raros daquela viagem, desde o entardecer no deserto peruano, as índias dentro do Trem da Morte, ruínas históricas até muitas outras imagens de grande diversidade, conta. "Estas foram as minhas primeiras fotografias e as considero parte da minha iniciação fotográfica."

No ano seguinte, Issa viajou pela Austrália e produziu matérias para revistas especializadas. Daí por diante, não parou mais de fotografar.

O registro de 62 parques nacionais em fotos e vídeos foi uma alternativa encontrada por Issa diante das dificuldades de se encontrar patrocinadores que lhe dessem a chance de colocar em prática a travessia das Américas.

No entanto, enganam-se aqueles que imaginam que o roteiro dos parques foi também fácil de ser definido e executado. Desde o amadurecimento da ideia até o início, foram três longos anos de planejamento.

O projeto nacional obteve respostas positivas de algumas empresas e o apoio do IBAMA, órgão responsável pelos parques na época, o que tornou a expedição viável.

As autorizações foram aprovadas em seis meses, porém, desde o primeiro contato até a data de início da viagem, em 2002, foram três anos de preparação.

A viagem exigiu um cronograma meticuloso, uma vez que as diferentes condições climáticas do território brasileiro e a estrutura rodoviária de cada estado tinham que ser levadas em conta.

"Não se pode estar na Amazônia no período da chuva, pois as estradas ficam intransitáveis e, também, nas grandes secas do nordeste, quando o calor é insuportável e as paisagens se tornam muito áridas", ressalta. "Estes são só dois exemplos, existem muitos locais onde é preciso conhecer o período certo como Pantanal, Lençóis Maranhenses, entre outros."

O início: Lagoa do Peixe

Issa investiu grande parte de seu tempo e, também, de seus recursos na construção de um motorhome, que viabilizou segurança, conforto e baixo custo. Pouco a pouco, um Toyota Bandeirantes passou por uma transformação e se tornou a casa do documentarista por cinco anos.

O primeiro parque visitado no projeto foi a Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. Issa conta que a intenção era percorrer todos os parques do sul seguindo em direção ao norte do país. Mas, como em toda grande expedição, algumas modificações foram feitas devido às boas oportunidades para fotografar grandes eventos em outros parques nacionais.

"Voltei no mês de julho para a Chapada Diamantina (BA), só para registrar o raio de luz solar entrando no Poço Encantado e refletindo no azul profundo das águas, uma imagem espetacular e imperdível."

Apesar do grande comprometimento com seu projeto, Issa conta que sempre passou os natais com seus familiares. "Nos cinco anos de estrada, eu sempre passava o Natal em casa com a família. Quando eu estava numa região muito distante, eu deixava o veículo e vinha de avião."

A aventura sofreu atraso também, fruto, por exemplo, de um eixo do carro quebrado quando da passagem pelo Amapá. A chegada de peças para o conserto levou cerca de um mês.

Apesar de imprevistos como este, Issa afirma que tudo foi pensado durante a escolha do carro, que conta com uma mecânica fácil, peças em todo país e nenhum componente eletrônico.

"Tudo isso e minha experiência e conhecimento do carro ajudaram na execução do projeto sem muitas surpresas. Por várias vezes fiquei em estradas desertas com o veículo quebrado, mas sempre consegui resolver com muita calma e ajuda de motoristas de caminhão."

Mecânica à parte, outros sustos sobrepujaram os problemas que envolviam graxa. Issa foi refém de índios da Raposa-Serra-do-Sol em Roraima e chegou a passar uma noite amarrado. Também foi picado por um escorpião e ameaçado com faca por integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) no Paraná.

"Foram várias situações como esta. Tive que ter calma, resolver os problemas e voltar para a estrada. Na verdade, mesmo com todas as dificuldades que passei, desde momentos perigosos e situações de morte, jamais pensei em desistir."

Orgulhoso, Issa lista a pedido do Caravana da Aventura alguns momentos que tornaram essa expedição única em sua vida. Subir à pé por oito dias o Pico da Neblina, percorrendo 36 quilômetros morro acima; mergulhar em Abrolhos à 30 metros de profundidade; sair as 3h da madrugada para registrar o nascimento das tartarugas marinhas; caminhar durante a noite em busca da onça pintada e navegar dez dias pelo rio Madeira em direção à Manaus foram momentos que marcaram o jornalista.

"O Brasil é um país repleto de "brasis" dentro de seus limites. As realidades de vida são completamente diferentes em cada porção de terra visitada. Tive a oportunidade de passar dias com índios, pantaneiros, sertanistas no norte de Minas e ribeirinhos da Amazônia. Uma pluralidade de gente, de costumes... Um conhecimento impagável!"

Na Amazônia, todas as expectativas carregadas pela maior floresta do planeta brincam com o imaginário de quem a quer conhecer. Mas, durante a visita aos parques do norte, o naturalista desvendou alguns mitos.

"As pessoas sempre imaginam que vão andar pela floresta em locais distantes e sem ninguém e irão ver muitos bichos selvagens. É um grande engano. Toda a fauna da Amazônia está dispersa, há muito espaço para os bichos", avisa. "Observar um grande mamífero na floresta é um momento raro e difícil. Em relação às riquezas da Amazônia, tudo se confirma. Muitas vezes pude observar espécies que nunca havia visto em outros biomas brasileiros."

Em cinco anos de expedição, Issa acumula alguns números que retratam seu empenho no projeto. Foram mais de 210000 km rodados de carro, 100 horas de sobrevoo e cerca de 1000 km de caminhadas que o levaram à lugares como o pico da Neblina: 3014 m de altitude e temperaturas que chegaram a 6° negativos.

No entanto, Issa aponta também dados preocupantes sobretudo com relação à organização dos parques. "Dos 62 visitados, posso dizer que apenas 15 unidades funcionam como deveriam: com cobrança de entrada, centro de visitantes, guias locais, sinalização adequada e estradas de acesso. O restante reflete um grande abandono por parte do governo, falta de recursos, falta de equipamentos entre muitos outros problemas."

Para ele, os destaques ficam para os  seguintes parques: Nacional de Foz de Iguaçu-PR; Nacional de Serra da Capivara-PI; Nacional do Caparaó-MG/ES; Nacional dos Aparados da Serra-SC/RS; Nacional da Serra dos Órgãos-RJ e Nacional de Itatiaia-RJ.

O desejo final do jornalista é fechar com chave de ouro o projeto. Para tanto, ele pretende produzir um livro com o material obtido na expedição que lhe rendeu mais de oito mil imagens. Além disso, Issa está em negociação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para produzir vídeos institucionais para cada unidade.

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Comentários

  • Silvio
    Silvio
    19 Abril 2011 at 00:29 |

    Nunca sonhei em conhecer uma pessoa , que nos passa tanta energia,força de vontade,hoje conheci um casal fabuloso.eduardo e leticia

  • Dinarte Lemes
    Dinarte Lemes
    21 Abril 2011 at 14:27 |

    O mais legal é q eles são meus amigos,rsrs.
    Abração.

  • zilda mria lifczynski pereira
    zilda mria lifczynski pereira
    28 Outubro 2011 at 17:37 |

    Oi Eduardo e Leticia. Estou cm saudades de vcs.
    Onde vcs. andam.A viajem como vai.Nos valtamos do Panama no dia 03.10.Panma é bonito , mas naa como o nosso Brasil.
    bjos
    Zilda

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