Felicidade sobre duas rodas
Foto: Arquivo pessoal
A trilha Inca, no Peru, é uma meta do ciclista neste ano
Felicidade sobre duas rodas
Foto: Arquivo pessoal
O ciclista durante uma de suas palestras pelo país
Felicidade sobre duas rodas
Foto: Arquivo pessoal
A rede é a cama improvisada do ciclista nas viagens
Felicidade sobre duas rodas
Foto: Arquivo pessoal
A bike, cheia de bagagem, pronta para cair na estrada
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Felicidade sobre duas rodas

Domingo, 23 Janeiro 2011 10:37
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Para o sergipano Felippe César Santana, a vida só tem sentido em cima da “magrela”. Cicloturista, luta pelo uso da “bike” como meio de transporte nas grandes capitais

“A felicidade renova a pele, a mente, o corpo, a alma, tudo!” Escorado nesta tese, o cicloativista Felippe César Santana toca a vida sobre duas rodas.

O aracajuano nascido em 1986 formou-se em 2008 no curso de Arquitetura e Urbanismo e sempre se preocupou com o meio ambiente. Desde 2007 sua luta tem sido voltada a difusão do uso da bicicleta como meio de transporte diário.

A paixão pelo cicloturismo fica evidente desde o primeiro contanto com Felippe, que gosta de falar sobre o assunto, contar as histórias de viagens e mostrar como a vida nas cidades poderia melhorar se mais pessoas aderissem ao uso das “magrelas”.

“A transformação precisa ser cultural, as pessoas precisam querer a mudança. Não adianta ter apenas infraestrutura implementada e as pessoas não terem a cultura da bicicleta”, ressalta Felippe. “Ai entra a questão da empresa incentivar o funcionário a ir de bicicleta para o trabalho, colocando uma estrutura básica com vestiário, chuveiro, estacionamento para bicicleta...”

Em Sergipe Felippe já fazia viagens curtas, mas sempre acalentando o desejo de ir mais longe. No entanto preparava-se para um mestrado fora do país, o que o impedia de largar tudo e sair pedalando pelo mundo.

Em 2009, por meio de um site de intercâmbio, hospedou em sua casa um aventureiro que fazia mochilão pelo país. Aproveitando a deixa, intimou o novo amigo a pedalar: “Cara, você está na minha casa, então só vai andar de bicicleta, porque eu só ando de bicicleta. Tem algumas sobrando aqui, então não tem motivo pra andar de carro.”

Não demorou muito para o visitante se encantar com o mundo das viagens de bicicleta e logo veio a ideia: “Felippe, vamos pra Maceió pedalando?”. O ciclista viu a animação do amigo e, sabendo que ele não tinha nenhum conhecimento prático de cicloviagem, sentiu-se responsável pelo nascimento da ideia e foi junto, afinal seriam apenas três dias para rodar os 270 km que separam as cidades.“Cheguei para os meus pais e falei: Estou indo pra Maceió, de bicicleta, e vou voltar de ônibus.”

"Pedais pelo mundo"

Durante esta viagem foi criado um blog chamado Quatro Pedais. O espaço eletrônico visaria contar a travessia da dupla e revelar também um sonho um tanto quanto ousado de Felippe: o de dar a volta ao mundo de bicicleta.

Já em Maceió, o ciclista deu palestra sobre mobilidade urbana e viu que esse era o caminho para viajar e promover o uso da bicicleta. Resolveu então seguir até Fortaleza antes de cumprir a promessa feita aos pais de voltar para casa de ônibus.

Na capital cearense, já com um projeto bem estruturado em mente, Felippe e o amigo se separaram. Porém, nascia ali o projeto “Pedais pelo Mundo”, que nada mais era que tornar real o desejo do ciclista de dar a volta ao mundo em cima da magrela.

“No início meus pais ficaram meio revoltados, porque eu estava pensando num mestrado, estava seguindo o que os jovens costumam cumprir depois da faculdade, ou seja, fazer mestrado ou estudar pra concurso e, de repente, eu escolhi um caminho completamente alternativo. Hoje eles apoiam”.

Com recursos próprios e ajuda de amigos empresários de Aracaju, a primeira etapa da aventura durou um ano, durante o qual foram rodados 5500 km e terminou com a subida ao Monte Roraima.

Durante todo o trajeto, Felippe pode conhecer gente e aprender. “A viagem de bicicleta é muito barata e te ensina a viver com muito pouco. Eu quase não gasto com hospedagem, só vou pra pousada uma vez ou outra, quando o corpo está realmente precisando.

Durante o dia faço sempre um lanche e cozinho minha própria comida. Já de noite, janto em um restaurante e lá mesmo eu peço pra armar a rede ou a barraca”, afirma. “Se você for humilde, em qualquer lugar que chegar as pessoas te ajudam.”

Como toda aventura que se preze, os “perrengues” fazem parte. No Ceará, os raios da roda deram problema, além do câmbio traseiro da bicicleta que acabou danificado, obrigando Felippe a pegar um ônibus até Fortaleza para reparos; na Amazônia sofreu fortes dores no joelho, que o fizeram a pedalar com uma perna só até ser obrigado a parar e pedir uma carona para percorrer os últimos 10 km do trecho; e, como não poderia deixar de ocorrer, as inúmeras “carreiras” que tomou de cachorros em toda parte do país. Contudo, contenta-se em dizer que nunca teve problemas com violência urbana.

O projeto que visa percorrer o mundo, inicialmente, é de seis anos, mas pode estender-se para dez. “Vou fazer 25 anos em fevereiro de 2011 e quero continuar até os 30. Então vou parar pra pensar sobre a eficiência do projeto até ali e, a partir das conclusões, decidir se devo seguir por mais quatro anos pra fechar os dez anos de viagem”.

Para o próximo ano a meta de Felippe é ir para o Norte do Brasil, fazer parte das Guianas, Suriname, ir pra Rondônia e seguir até Cusco, no Peru, para fazer a trilha Inca.

Se você se entusiasmou para partir em busca da sua própria cicloviagem, Felippe dá uma dica valiosa: “Saia de casa e a estrada vai se encarregar de ensinar todo o resto pra você”.

 

 

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