Carol Emboava / Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Carol é a idealizadora do projeto Giramérica
América do Sul aí vou eu!
Foto: Pedro Cattony
Patagônia será um dos locais visitados pela ciclista
Carol Emboava / Arquivo pessoal
Foto: Arq. pessoal
Carol é ciclista e praticante de trekking e montanhismo
Deserto do Atacama / Danielle Pereira
Foto: Danielle Pereira
O deserto de Atacama também está no roteiro
Giramérica / Carol Emboava
Foto: Arq. pessoal
O projeto tem por objetivo a visita a seis países
Carol Emboava / Arquivo pessoal
Foto: Arq. pessoal
A ciclista está em fase final da preparação física
Machu Picchu / Cindy Harada
Foto: Cindy Harada
Expedição teminará nas ruínas de Machu Picchu (Peru)
Carol Emboava / Arquivo pessoal
Foto: Arq. pessoal
O ciclismo é uma paixão recente na vida de Carol
El Calafate / Benjamin Dumas
Foto: Benjamin Dumas
A argentina El Calafate compõe também o roteiro
Carol Emboava / Arquivo pessoal
Foto: Arq. pessoal
A bike será a única companheira da ciclista
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América do Sul aí vou eu!

Quarta, 20 Fevereiro 2013 11:42
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Ciclista Carol Emboava está na reta final da preparação para cruzar seis países sul-americanos, pedalando cerca de 13.000km

A cada dia que passa, mais pessoas se desprendem dos bens materiais e partem para uma vida de aventura. Cada um a seu modo, esses aventureiros buscam respostas a questões filosóficas, autoconhecimento, novas vivências, fuga do mundo que os cerca, novas lições de vida, crescimento espiritual...

A professora de educação física Carol Emboava é mais uma dessas pessoas inquietas com relação às perguntas da vida. Natural de Pindamonhangaba, sempre praticou esportes. Há dez anos apaixonou-se pelo trekking e montanhismo, após um problema no joelho que a distanciou das pedaladas.

No entanto, recentemente, já recuperada do joelho, resolveu dar uma voltinha de bicicleta e a paixão pela bike tomou conta de novo desta paulista de coração e aventureira por opção.

“Foi amor à segunda vista, ou segunda pedalada”, brinca. “Depois que voltei a pedalar, precisei de apenas dois meses para ter a minha própria bike e não parar mais de pedalar.”

O reencontro com a bike fez Carol ir atrás da realização de um sonho: fazer uma cicloviagem, atravessando 13.000km, por seis países da América do Sul. A viagem, batizada de Giramérica, promete durar um ano e trazer muitos desafios à ciclista. A aventura vai começar no próximo mês de agosto.

De olho no projeto e torcendo para que tudo dê certo, o Caravana conversou com Carol, que revelou todos os detalhes do projeto. Confira!

Caravana da Aventura: Quem é a Carol Emboava?

Carol Emboava: Sou natural de Pindamonhangaba e moro há cinco anos em Taubaté. Sou formada técnica em Nutrição e Dietética e graduada em Educação Física. Atualmente dou aulas de educação física escolar e trabalho também como personal trainer.

Tenho 31 anos (faço 32 em outubro, já na estrada). Há dez anos pratico trekking e montanhismo. A bike veio antes disso, mas por causa de um problema no joelho parei de pedalar. Fiquei dez anos afastada e mudei o foco para as montanhas. Mas ano passado, quando subi numa bicicleta para um passeio foi amor à segunda vista, ou segunda pedalada. Dois meses depois já tinha comprado minha bike e desde então não parei mais.

- O que é o projeto Giramérica?

- O Giramérica é uma cicloviagem, ou seja, uma viagem cujo meio de transporte será a bicicleta. Durante um ano irei pedalar sozinha por seis países da América do Sul. Saindo de Curitiba, passando pelo Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e terminando no Peru.

- Você irá sozinha?

- Sim. E a decisão de ir sozinha envolve vários fatores. Não é tão fácil conseguir companhia para uma viagem longa, que despende de uma quantia considerável de dinheiro e um desprendimento da sua vida atual. Nem todos estão dispostos a deixar amigos, família, relacionamentos e trabalho por um longo período.

- Além do custo, o que pesa mais na busca por uma parceria para a aventura?

- Outra dificuldade é encontrar uma pessoa que tenha os mesmos objetivos, sejam eles de trajetos, quilômetros para rodar por dia, locais para conhecer, dias de folga, entre vários outros. Viajando sozinha posso organizar essa logística de acordo com a minha condição física e gostos. Entretanto, sair sozinha para uma viagem não quer dizer que ela será feita toda sem companhia. Ao longo do caminho tenho certeza que encontrarei muitos cicloturistas, que podem ser companhias para algumas horas, dias ou meses de pedaladas.

- O que a motivou a fazer esta viagem?

- Estava numa fase de transição no trabalho, mudando de cidade e iniciando um negócio próprio. Quando percebi que o trabalho iria aumentar e as folgas iriam diminuir decidi tirar umas férias antes dessa mudança. A ideia de uma longa cicloviagem já me acompanhava há muito tempo e vi que poderia ser o momento de realizar esse sonho.

- Qual o seu maior objetivo nesta aventura?

- Espero sair da minha zona de conforto, indo o mais longe possível dela, o que não será muito difícil, pois irei sozinha para países que não conheço, não domino a língua e levarei meu corpo a limites físicos. Acredito que isso trará um autoconhecimento muito grande, que é meu principal objetivo com a viagem. Quero conhecer de perto culturas e pessoas diferentes daquelas que convivo. E nada melhor do que a bicicleta para proporcionar essa aproximação. Quando viajamos mais devagar, a interação com as pessoas e com o meio em que vivem é muito maior.

- Quantos quilômetros pretende rodar e em quanto tempo?

- A viagem vai dura cerca de um ano e rodarei uns 13.000km. Com esse prazo, a média diária de quilometragem ficaria em torno de 36km, porém há os dias de descanso na semana mais que necessários e também aquele tempinho sagrado para conhecer os lugares e as pessoas. É impossível prever o que virá pelo caminho, há lugares, como a Patagônia e o Deserto do Atacama, por exemplo, onde há pouca ou nenhuma estrutura para viajantes. Nesses locais a média de quilômetros rodados por dia será muito maior. Por isso tudo o tempo e a distância percorrida é uma estimativa.

- Como fará para dormir e se alimentar?

- Levarei comigo uma barraca para acampar sempre que necessário. Mas em cidades maiores há bons albergues (os “hostels”), com preços bem próximos dos campings. E utilizarei também as redes sociais de hospedagem, como o “Couchsurfing” e “Warmshowers” (que ajudam viajantes a se hospedarem em residências de moradores locais), essa última, inclusive, voltada apenas para cicloturistas.

Já a alimentação será feita em sua maioria em restaurantes no caminho. Mas claro, levarei comigo o kit de culinária outdoor, fogareiro, panela, prato, talheres. Quero conhecer bastante da culinária local, cozinhar com ingredientes pouco conhecidos e aprender a preparar comidas locais com os moradores. A ideia é cozinhar sempre no final do dia, quando possível e necessário.

- E como está sendo a sua preparação física?

- Há pouco material sobre preparo físico para cicloturismo, mas o mais importante é pedalar. Aumentar as distâncias aos poucos e estar preparado física e psicologicamente para passar boas horas por dia na bike. Pedalando um pouco todos os dias há um fortalecimento da musculatura utilizada na mecânica do movimento.

- É preciso um treino muito específico?

- Em conjunto com os treinos de pedal tenho feito um trabalho muscular também na academia. É importante que não só os membros inferiores estejam fortes, mas também o CORE, que compreende a região central do corpo. O CORE é um conjunto de músculos que ajudam a “segurar”, a estabilizar a região do quadril, mais especificamente o abdômen e a coluna lombar. Este centro produz força, gera estabilidade e mantêm o alinhamento do corpo durante um movimento. Com essa região fortalecida há uma diminuição no risco de lesões, melhora na postura, melhora no desempenho físico, estabilidade articular, aumento na eficiência dos movimentos, entre muitos outros benefícios.

- E quanto à segurança durante a viagem?

- Essa é uma preocupação, é preciso ter muita certeza de que se quer fazer uma viagem dessas. Tanto por viajar sozinha, quanto por ser uma mulher. Riscos sempre existirão, seja viajando, trabalhando, pedalando pela cidade ou treinando na estrada.

- Família, amigos... Como receberam a notícia do projeto?

- Meus amigos adoraram a ideia, claro! Uma longa viagem é um desejo de muita gente. E ter alguém próximo fazendo isso é como realizar uma parte desse sonho. A única pessoa que ainda está com a pulga atrás da orelha é minha mãe. Pra ela tudo é perigoso e viajar um ano de bicicleta sozinha por aí é coisa de maluco. Apesar de ela gostar da ideia do projeto e, como ela já disse, achar lindo, preferia que não fosse com a filha dela. Mas estou providenciando um “remédio” para isso, comprei o livro “Trilhando Sonhos”, do Thiago Fantinatti, que realizou uma cicloviagem de um ano sozinho pela América do Sul.

- Como as pessoas podem te ajudar a concluir o projeto?

- Estou em busca de patrocínio para completar o que falta em grana para a viagem. Empresas ou pessoas que se identifiquem com o projeto podem entrar em contato através do site Giramerica.com. Além disso, empresas que queiram contribuir com equipamentos também serão muito bem-vindas.

- Já há patrocinadores envolvidos?

O site Trekking Brasil.com é um dos patrocinadores, a Revista Aventura & Ação também apoia o projeto e irá publicar algumas matérias e o espaço de personal Eduardo Fernandes abriu suas portas oferecendo o treinamento físico necessário. Cada um está ajudando da sua forma, e todos estão ajudando o projeto virar realidade.

Há outras formas também de contribuir. Uma mensagem de incentivo, a indicação de um amigo que está pelo caminho e que possa me hospedar, dicas de locais para conhecer ou mesmo a “vaquinha virtual”.

Agradeço todos os tipos de ajuda!

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Comentários

  • Dennis jacobsen
    Dennis jacobsen
    20 Fevereiro 2013 at 15:17 |

    Montei com um amigo um roteiro bem parecido de bike,mas ele teve de operar o joelho e acabamos não indo,tem vaga pra mais um ai?

  • Carol Emboava
    20 Fevereiro 2013 at 21:23 |

    Oi Dennis! Agradeço sua disposição! Mas dessa vez faz parte do meu desafio ir sozinha msm!
    Bjs!

  • Gustavo Pulga
    Gustavo Pulga
    21 Fevereiro 2013 at 22:07 |

    Muito legal a ideia Carol. Quando você voltar, espero ver várias receitas novas no Cozinha na Mochila, viu?

    Você vai fazer um blog ou coisa do tipo para ir atualizando e documentando a viagem e o andar do projeto? Acompanho o http://www.cicloturismoselvagem.com.br/ e gosto bastante do modo como é atualizado.

    Boa sorte e boa viagem!!!

  • Carol Emboava
    25 Fevereiro 2013 at 11:28 |

    Oi Gustavo! O site tá no ar já... é o www.giramerica.com
    Lá dentro mesmo tem o blog, que pretendo manter atualizado durante a viagem!
    E com certeza, vem muita novidade pro Cozinha na Mochila... imagina o tanto de comida diferente que vou provar em um ano? rs
    Bjs! E obrigada!

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