Uma vida sem limites
Foto: Edu Bernardino
Corso em ação, durante uma de suas palestras
Uma vida sem limites
Foto: Divulgação
Mapa da mina: O trajeto percorrido pelo aventureiro
Uma vida sem limites
Foto: Arquivo pessoal
Corso durante uma das remadas da expedição
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Uma vida sem limites

Terça, 27 Março 2012 14:10
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Ex-advogado troca o escritório pelo mundo da aventura e percorre 11 estados em 17 meses, numa viagem pelo coração do Brasil

O Caravana da Aventura apresenta, mais uma vez, um exemplo de superação, o qual uma pessoa largou uma vida teoricamente estabilizada e segura para seguir o caminho da aventura, de uma vida sem limites. Este é Angelo Corso, de 33 anos, que abandonou a carreira de advogado na buscado sonho de se aventurar pelo Brasil.

O ex-advogado é mais um dos muitos descontentes com a vida urbana e que precisaram apenas de uma dose de coragem para dar um novo rumo à vida. “Toda vez que acordava pra ir pro escritório, eu pensava: que droga, preciso mesmo fazer isso?", conta.

A vontade de larga tudo crescia a cada dia, porém sua ideia incomodava as pessoas mais próximas. Angelo lembra que, certa vez, ao falar sobre seus planos para um amigo, ouviu: “Cara, se a vida já está difícil pra médico, engenheiro, advogado, então imagina pra aventureiro!”

Apesar do discurso pouco animado do amigo, Corso não desanimou e seguiu firme focado e planejando sua “fuga” do escritório e da vida urbana.

A decisão de jogar tudo para o alto, no entanto, veio num momento de dor, logo após a morte de um irmão. Naquele momento, mais precisamente em 22 de outubro de 2009, Angelo resolveu tirar seu projeto do papel e iniciar a busca por sua realização pessoal.

Expedição Conectando: 17 meses e 11 estados

O projeto foi denominado “Expedição Conectando” e a filosofia era simples: Onde houvesse terra, o percurso seria feito caminhando, correndo ou pedalando; onde houvesse água, o obstáculo seria transposto a nado ou remando. Contudo, escolher os caminhos não foi tão fácil como parecia, pois não se tratava apenas de sair andando sem rumo.

Com sua experiência, Corso salienta que os lugares a serem percorridos nem sempre estão á disposição em mapas, por isso os trajetos muitas vezes apresentam surpresas: “Quando você viaja par esses lugares, precisa ter em mente que a maioria dos percursos não estão em mapas ou, se estão, são mapas muito precários. Então precisa ir perguntando, confiando nas pessoas que encontrar pelo caminho".

Desta forma que o aventureiro iniciou sua trupe, partindo da cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. O ex-advogado percorreu cerca de dez mil quilômetros em 17 meses, passando por 11 estados – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas.

A expedição explorou áreas de reservas, chapadas, serras, cavernas, cachoeiras, rios, florestas, trilhas, praias, aldeias indígenas. Entre todos os lugares visitados, Angelo lembra que o Amazonas foi um dos locais mais singulares pelos quais passou.

“Esse lugar é um mundo a parte, eu não consigo mais imaginar como seria a minha vida sem conhecer a Amazônia”, ressalta, alertando para o perigo de navegar pelas águas da região. “Quando se está na água, no meio do estado, o risco é muito grande. Você está longe de tudo, um acidente ali pode ser fatal.”

A expedição teve seus momentos de autoconhecimento, momentos para compartilhar experiências e até momentos tragicômicos como por exemplo, quando o aventureiro quase perdeu a chance de surfar uma onda da Pororoca. “Durante a viagem, fui internado três vezes com infecção intestinal, uma delas quase me fez perder a pororoca. Estava no hospital e menti pra enfermeira pra poder sair, eu não ia viajar tanto e perder a chance de surfar na pororoca por causa de uma indisposição estomacal.”

Leia também: Mergulho para a vida

O saldo da primeira fase da aventura foi positivo. Com orgulho, Angelo ressalta ter sido o primeiro homem a remar o Rio Amazonas contra sua correnteza e no período de chuvas, além de chegar à Manaus, atravessando o Rio São Francisco a nado.

O saldo também foi bem árduo ao final dos 17 meses em ambientes selvagem. “Durante este período, eu tive uma lesão no joelho, uma lesão no cotovelo, duas vidas resgatadas no mar, dois corpos encontrados em uma cachoeira (um casal de namorados que haviam se afogado), um ataque de enxame de abelha, três infecções intestinais, quatro internações”, afirmou, enumerando também o saldo positivo da aventura.

“Mas fiz também muitos amigos, muito aprendizado, muita história pra contar e momentos de tranquilidade e paz no contato direto com a natureza.”

Quer saber mais sobre a expedição, o aventureiro e seus projetos? Acesse o site www.angelocorso.com.br

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