Gustavo Angimahtz (Pediverde) / Felipe Baenninger
Foto: Felipe Baenninger
Gustavo largou o jornalismo pelo amor à bike
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
O tema "bike" está na moda nas grandes cidades
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
O ciloturismo ainda engatinha no Brasil
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
A "Pediverde" oferece a prática do cicloturismo
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
Passeios de bike oferecem contatos com a natureza
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
Gustavo critica a malha cicloviária de São Paulo
Pediverde / Divulgação
Foto: Divulgação
A Pediverde oferece passeios temáticos
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
Apesar de tudo, o cicloturismo tem crescido no país
Pediverde - Cicloturismo / Adriano Ferreira
Foto: Adriano Ferreira
Viagens noturnas fascinam os amantes da bike
Compartilhe

“São Paulo estimula o medo dos ciclistas"

Terça, 03 Dezembro 2013 07:09
Fábio Salgueiro | Do Caravana

Gustavo Angimahtz, da Pediverde, fala ao Caravana sobre mobilidade urbana e outros assuntos ligados ao tema. Confira!

Com o tema mobilidade urbana em alta nas grandes cidades brasileiras, o Caravana da Aventura entrevistou Gustavo Angimahtz, sócio proprietário da Pediverde – Cicloturismo.

O jornalista e amante da bike vê as autoridades engajadas no tema, mas critica duramente as grandes cidades, que apresentam ainda enormes problemas para as pessoas que desejam usar a bicicleta como meio de transporte diário.

“São Paulo é vergonhosa em termos de malha cicloviária para as bicicletas. As ciclofaixas de lazer funcionam aos domingos e feriados e estimulam os ciclistas a terem medo de conviver com os carros.”

A prática do cicloturismo também esteve na pauta. Confira abaixo a entrevista:

Caravana da Aventura – Muito tem se falado em mobilidade urbana nos grandes centros brasileiros. O assunto virou moda. Como você, um cara engajado no tema, vê as ações da autoridades. Existe uma disposição dos políticos em apostar nas bicicletas nas grandes cidades brasileiras?

Gustavo Angimahtz – Eu acho que as autoridades, politicamente falando, estão sim se engajando no tema. De forma um pouco estabanada, errando e aprendendo, mas há um esforço em promover a melhoria da mobilidade. As bicicletas, um dos braços da mobilidade, são uma proporção pequena deste esforço, pois ainda prioriza-se a construção de uma malha mais eficiente de transporte público. E não acho que isso seja ruim, pelo contrário, mas acredito que poderia existir um maior esforço voltado à bicicleta, como a sinalização adequada e fiscalização e punição correta a infratores, bem como a redução de impostos, que são altíssimos.

Também acredito que isto poderia ser conseguido com melhor educação para o trânsito nas escolas. A aposta dos políticos é como qualquer aposta: a que está na moda. A bicicleta está no topo e em movimento crescente, então é natural que haja maior esforço político voltado ao tema. Espero que fique assim para sempre e crescendo.

- Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade de São Paulo apresente cerca de 246 km de infraestrutura cicloviária de circulação. Como você avalia esta extensão voltada para as bicicletas numa metrópole como São Paulo?

- São Paulo é vergonhosa em termos de malha cicloviária para as bicicletas. Eu gosto de chamar atenção para o fato de termos "ciclofaixas de lazer", que funcionam aos domingos e exercem um efeito contrário na aceitação das bicicletas: estimulam os ciclistas a terem medo de conviver com os carros e condicionam os motoristas a continuar acreditando que o ciclista só pode andar na ciclofaixa. Ainda por cima, só funciona aos domingos e feriados, simbolizando um lazer, e não um meio de transporte.

As ciclorotas, regiões metropolitanas com velocidade máxima reduzida a 30 km/h e sinalização no chão e com placas, mesmo com algum investimento, não são fiscalizadas e, portanto, os motoristas abusam da velocidade e impõem medo aos ciclistas, que passam a não utilizar as rotas.

As ciclovias todas são problemáticas. Ciclovias são vias rápidas feitas para o deslocamento de bicicletas, devem ser retas, exclusivas e com correta sinalização e guias rebaixadas. Nenhuma das ciclovias de São Paulo atende a todos os requisitos para ser 100% segura. Mesmo a da Faria Lima possui retornos para os carros perigosíssimos e algumas guias altas que podem causar acidentes, além de ainda não estar terminada.

Enfim, há muito a ser melhorado e muito a ser construído, a começar pelas pontes da Marginal, que são muito perigosas para ciclistas e pedestres por facilitar demais o fluxo de veículos e não possibilitar a travessia.

- E a população: você vê um engajamento das pessoas sobre a necessidade da mobilidade urbana nos grandes centros?

- Acho que tem pessoas de todo tipo. A população ainda está aprendendo a aceitar isso e a tendência é melhorar. Aqui ressalto a importância da inclusão do tema nas escolas, pois as crianças são educadas para gostarem do carro que traz status, independência e conforto, como um símbolo, e nas periferias que são as regiões com mais ciclistas estes não são ciclistas por opção, mas por necessidade. O sonho deles é ter um carro, e isso é uma cultura e uma educação que deve ser mudada na criação das pessoas em casa e na escola.

- Nota-se no dia a dia que existe uma rivalidade entre motoristas e ciclistas na cidade de São Paulo. O que fazer para melhorar esta convivência diária?

- A rivalidade que existe entre motoristas e ciclistas é como qualquer outra, como com motoqueiros, caminhões... O carro tem rivalidade com todo mundo. E não são todos os motoristas que tem rivalidade, existe muita gente legal e solidária, que cede e dá espaço, ultrapassa com segurança e avisa, e estes são a maioria. Mas sempre tem gente que não aceita e acho que é normal. Para melhorar, volto a bater na tecla da educação e aqui destaco a inclusão do tema nas auto escolas também, o que seria de suma importância.

- Você é sócio proprietário da Pediverde – Cicloturismo. Como nasceu a empresa?

- Após uma viagem com um amigo para Itu, decidi criar o blog Pedivelha para achar amigos que gostassem de pedalar desta forma: conhecendo, aprendendo e curtindo cada quilometro. Eu avisava nos textos para onde iria, onde seria o ponto de encontro e o horário de saída.

Leia mais sobre Cicloturismo e onde praticar. Acesse!

Com o tempo, meus leitores viraram amigos, um deles acabou virando meu sócio e o blog Pedivelha acabou tornando-se uma agencia de turismo com pacotes de viagens de bicicleta pelo Brasil e, a partir de 2014, pelo mundo.

Os amigos acabaram virando um verdadeiro time de guias voluntários e juntos proporcionamos viagens gratuitas todos os meses. Nos pacotes, eles são enviados como monitores e recebem por isso, incentivando a capacitação e a fidelização da minha equipe.

- Qual o grande objetivo da Pediverde?

- Colaborar para o desenvolvimento da relação das pessoas com outras pessoas e com o entorno de forma sustentável, harmoniosa e positiva. Proporcionamos novas descobertas e experiências inéditas com passeios temáticos exclusivos, misturando natureza, geografia, solidariedade e atividades radicais.

- Você é jornalista por formação e exercia a função até pouco tempo. O amor à bique foi o que o fez mudar de vida e mergulhar no mundo do cicloturismo?

- Eu gosto de escrever, quero continuar escrevendo, mas agora apenas como convidado ou “free lancer”, porque mudei de prioridade. Posso gerar um bom conteúdo dentro da área da mobilidade e do cicloturismo. Eu sempre busquei ser feliz e tenho estado feliz com a bike ao meu lado, seja no escritório ou nas viagens com os grupos. E se eu puder trazer um retorno que me permita transformar um hobby em um estilo de vida, por que não fazê-lo? E como se eu trabalhasse no melhor emprego do mundo.

- E o cicloturismo, qual o estágio da modalidade no Brasil?

- O cicloturismo ainda engatinha no pais. Na Europa, onde é amplamente praticado, oferece infraestrutura como estradas de melhor qualidade, com segurança e sinalização, rotas com lugar para dormir, estrutura gastronômica...

No Brasil há poucos roteiros e circuitos preparados, por isso o trabalho em montar um passeio que ofereça o conforto necessário para uma experiência agradável exige um esforço tremendo.

- É fato o crescimento no uso das bikes, seja para a locomoção dentro das cidades, seja em viagens de curta e longa distância. Esse crescimento deve ser festejado ou é ainda uma mobilização muito tímida em se tratando de um pais da extensão do Brasil?

- Acho que todo crescimento deve ser festejado. Sou contra o conformismo. Jamais podemos nos conformar com o crescimento e vejo essa motivação ao aumento progressivo do crescimento do uso das bikes como uma característica do ciclista. Assim, acredito que viemos para ficar e só vai crescer.

- Qual a mensagem que você deixa para as pessoas que gostam de bike e estão dispostas a mudar de vida, adotando a modalidade em seu dia a dia?

- Pense que você já passa de 25% a 30% da sua vida dormindo e cerca de 20% a 25% trabalhando. A bicicleta chega a economizar 2h por dia de locomoção para quem percorre um trecho até um raio de 10 km. Se não quer perder mais 10% da sua vida no trânsito, adote a bicicleta no seu dia a dia. Não precisa ser radical, apenas ser prático. Eu também uso o carro quando preciso, como viagens com família e transporte de cargas na cidade, mas ai é necessário. Melhore seu humor, sua saúde, sua disposição e sua mente.

Serviço

Pediverde - Cicloturismo
Telefone: Cel. (vivo): +55 11 974441447 / Fixo: +55 11 32802453
Horário de funcionamento do escritório: de segunda à sexta, das 9h às 18h
Viagens gratuitas mensais (40 vagas - é preciso se inscrever)
Leia também
  • Artigos De olho na terra

    Fotografem muito!

    No último Dia Mundial da Fotografia, o repórter fotográfico Eduardo Bernardino falou sobre a maravilha que é o ato de fotografar e deu dicas importantes para os amantes de uma boa foto

Comentários

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x