andar de bicicleta
Foto: Giovanna Cruz Corsi
Homem usa bicicleta para ir ao trabalho na Itália
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Um carro a menos

Quinta, 27 Janeiro 2011 11:18
Giovana Cruz Corsi | Especial para o Caravana

É verdade que a bicicleta não tem o glamour de um carro esportivo do ano, mas seu uso se torna cada vez mais necessário nas grandes cidades do planeta. Leia e entenda o porquê!

O Brasil é um país emergente, que vem permitindo que mais cidadãos possam comprar seu carro, seja novo, ou usado. A venda de veículos bate recordes a cada ano. Mas qual o custo deste padrão?

Há alguns anos, no Dia mundial sem Carro, é promovida em São Paulo uma corrida. Os participantes devem ir de um ponto a outro da cidade, vale usar ônibus, metrô, carro, moto, bicicleta, a pé e até de helicóptero. Com exceção do primeiro ano, quando a moto chegou na frente, sempre a bicicleta foi a campeã. Nem o helicóptero resistiu à eficiência da bike, que agora é comprovadamente a mais rápida para o transporte urbano.

Embora mais eficiente, para nós brasileiros, a bicicleta não costuma ter o glamour de um esportivo do ano. Mas enquanto buscamos o padrão de consumo de um país rico, não notamos o rumo que estas nações estão tomando. Enquanto compramos carros, a cidade de Paris acrescenta quilômetros aos seus já quase 400 km de ciclovias e implanta sistemas de bicicletas públicas. Países como a França, Holanda, Itália e Alemanha têm na bicicleta a solução para o transito urbano, mais que isso, a população respeita a cultura da bicicleta e o ciclista. A sociedade entende que este é um meio não poluente, rápido e saudável. E, claro, um ciclista a mais é um carro a menos.

Mais rápida que um pedestre, sem vidros e portas, a bicicleta permite realmente vivenciar o local por onde se passa, os detalhes e nuances do caminho e da paisagem. Não se trata só de olhar, mas de sentir. Vento, aromas, as irregularidades do terreno, a noção de tempo e espaço, tudo é muito peculiar quando se esta a bordo de uma bicicleta. E pensando em passeios, o Brasil prima por paisagens espetaculares, ávidas por serem conhecidas em bicicletas. Roteiros como a Estrada Real, de Ouro Preto a Parati, o Circuito do Vale Europeu, no interior de Santa Catarina e o caminho da Fé no interior de SP, começam a ficar mais conhecidos como perfeitos ao cicloturismo e instigam pessoas a respeito desse fantástico meio de se viajar. Uma mountain bike consegue chegar onde, muitas vezes, apenas jipes tracionados vão. Trilhas da serra do mar, cidadezinhas do interior, ou as ruas esburacadas de qualquer cidade, tudo é visto com outros olhos e sem o ruído de motores.

Sabemos que pedalar é uma prática saudável, entretanto, muitas pessoas relutam, argumentando que não têm preparo físico para isso. Enganam-se, pois a bicicleta é, acima de tudo, democrática, permite que se vá a seu próprio ritmo, escolha o percurso que mais lhe convém e que, gradualmente, busque novos horizontes (e distâncias). E acredite, você aumentará rapidamente o tempo e a distância em cima da bicicleta, porque essa é uma atividade estimulante, que pode ser desafiadora ou, ao mesmo tempo, apenas um meio de transporte barato e eficiente.

Está na hora de entendermos que a moda mudou! E antes que estejamos completamente out desse mundo, é melhor nos atualizarmos e descobrirmos as maravilhas de uma pedalada, sabendo que além de nos abrirmos a belíssimos novos horizontes, seremos um carro a menos nesta velha terra de motores.

* Giovana é paulista, formada em biologia e estudante de medicina. Ciclista profissional de estrada, integra atualmente a equipe de Rio Claro

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