Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
O contato das crianças com a natureza foi total
Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
A tirolesa ditou o ritmo da aventura entre as crianças
Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
O "frisbee" contagiou também as crianças
Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
A canoagem foi aventura segura no acampamento
Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
Foi a primeira vez que o projeto foi para um acampamento
Do hospital para o acampamento
Foto: Eduardo Bernardino
O acampante Tiago Américo elogiou a ação: "É muito legal"
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Do hospital para o acampamento

Terça, 14 Junho 2011 14:28
Eduardo Bernardino | Do Caravana

O Águias da Serra, em São Paulo, abriu as portas para o projeto "Afeto 2011", que representa a luta de crianças e adolescentes contra o câncer


Neste final de semana aconteceu no Acampamento Águias da Serra, em São Paulo, o Projeto “Afeto 2011”. Pra quem olhar as fotos ao lado, fica a certeza de que foram alguns dias de muita aventura e recreação para crianças e adolescentes em meio à natureza.

No entanto a ação tem um significado muito maior para os participantes e suas famílias. É que as crianças são pacientes da ala de oncologia infantil do A. C. Camargo, o Hospital do Câncer, um centro de referência no tratamento da doença em São Paulo.

Integrantes da equipe médica acompanharam as crianças em ação em conjunto com os monitores do acampamento na busca por proporcionar, com segurança, um final de semana diferentes aos pacientes. “Isso influencia positivamente inclusive na cura dessas pessoas", afirmou a doutora Cecília Costa, diretora do Departamento de Oncologia Infantil do Hospital.

Entre o olhar atento e as risadas das crianças, Cecília explicou à reportagem do Caravana que o projeto já está em sua oitava edição, porém foi a primeira vez que a saída aconteceu a um acampamento. "As taxas de cura da doença em crianças e adolescentes chega a 70%, mas não queremos apenas curar, queremos reabilitar com qualidade de vida. Então a ideia é tirar esses pacientes tanto do meio opressor que é o hospital quanto do meio superprotetor que é criado em casa pela família", afirma Cecilia, ressaltando que ações assim são realizadas também fora do Brasil e que estudos apontam um aumento da taxa de sucesso do tratamento.

Segundo Cecília, as diferenças notadas no tratamento das crianças e na volta para a casa após saídas assim são visíveis. Os pais relatam melhoras de sociabilidade, além de as crianças retornarem mais alegres e dispostas a fazerem novos amigos, inclusive com pacientes que passam pela mesma situação.

“É normal escutar uma criança dizendo à outra: olha, quando eu fiz a cirurgia, igual você, eu também não podia fazer algumas coisas, mas eu fiz tudo direitinho e agora posso. Você também vai poder”, relata Cecília, emocionada.

Para ela, momentos assim são emocionantes e trazem esperança para aqueles que estão em estágios mais difíceis do tratamento. “Pra criança é muito diferente ouvir dos pais, ou mesmo do médico, que ela vai melhorar, e ouvir de outra criança, que já passou por tudo aquilo e agora mostra que está melhor", explica a diretora.

Relação médico x paciente

Para Tiago Bon Américo, de 21 anos, o mais velho da turma, a ação é positiva: "Eu já tinha ido a acampamentos antes, mas esse é o primeiro que vou com o hospital. É bom sair um pouco do cenário de poluição e pedra que é São Paulo, e também para conhecer pessoas", afirmou Tiago, ressaltando também a importância de ver o médico de outra maneira, fora do hospital, brincando, sorrindo… “Isso é muito legal!"

Este ano o projeto levou 30 crianças. Outras não quiseram ir ou simplesmente não puderam ou os pais não deixaram. "É difícil para muitos pais e crianças, que criam e são criados nesse ambiente de superproteção", diz a doutora Priscila Taniguti, que ressalta também a importância de ações assim para tornar a relação do médico mais prazerosa com o paciente. “Passar esses dias com as crianças, tira o papel do 'médico mau', que só manda dar remédio e impõe restrições.”

O sábado foi de pura alegria. As crianças só quiseram saber de brincar, correr, sujar, enfim, viver uma grande aventura bem distante da realidade que as cerca. Tudo acompanhado de perto por monitores, médicos e voluntários.

Já Miguel Naghirniac Junior, um dos proprietários do acampamento, tranquiliza os pais, ressaltando a estrutura oferecida pelo acampamento, que tem por objetivo a segurança dos pequenos: “Além da equipe de médicos e voluntários, há dois monitores por quarto e os pais podem acompanhar pela internet tudo o que está acontecendo”, salientou Miguel. “Todos os dias publicamos também cerca de 150 fotos num microblog, assim os pais podem ficar sabendo de tudo que está acontecendo e se os filhos estão bem.”

O projeto “Afeto 2011” tem por objetivo aumentar o número de hospitais participantes, porém por enquanto não há condições estruturais para fazer isso. “O A. C. Camargo nos dá todo o apoio estrutural, mas ainda procuramos pessoas e empresas que queiram apoiar o projeto financeiramente, assim poderemos atingir muitas outras pessoas", explica Cecília.

SERVIÇO

Acampamento Águias da Serra

Contato: (11) 5660-6102

*Veja o álbum completo da aventura das crianças no álbum do Caravana da Aventura no Flickr.

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Comentários

  • Lais Toloni
    Lais Toloni
    20 Junho 2011 at 19:08 |

    Bela reportagem!
    parabens =)

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