Pico das Agulhas Negras
Foto: Eduardo Bernardino
De longe, o Pico das Agulhas Negras exibe imponência
O pico é encoberto pelo mau tempo
Foto: Eduardo Bernardino
Mau tempo encobre rapidamente o Pico das Prateleiras
Sapo
Foto: Eduardo Bernardino
O sapo "flamenguinho" é a marca registrada da região
Céu de estrelas sobre o Abrigo Rebouças
Foto: Eduardo Bernardino
Abrigo Rebouças é opção de hospedagem ao turista
Falta sinalização no parque
Foto: Eduardo Bernardino
Cadê a placa? A falta de sinalização é um problema
Cigarros jogados ao chão por turistas
Foto: Eduardo Bernardino
Bitucas provam a má educação de alguns turistas
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Vencer o mau tempo é um desafio

Terça, 12 Abril 2011 14:45
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Caravana encarou a missão de chegar ao Pico das Prateleiras e das Agulhas Negras, mas foi vencido pelas nuvens que encobriram o cume


O Parque Nacional do Itatiaia, um dos paraísos do montanhismo, é um lugar maravilhoso. O clima da montanha, a vegetação de altitude, a erosão das rochas super evidente no Pico das Agulhas Negras (a mais de 2700 m de altitude), a beleza das formas encontradas que muitas vezes parecem ter sido colocadas propositadamente cada qual em seu lugar... Tudo encanta!

Em um ponto muito fácil de chegar, na divisa dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, o parque é ótimo para passeios curtos e longos, já que o local possui trilhas com vários níveis de dificuldade. Ao chegar à guarita na entrada da parte alta, vale um papinho com o segurança para saber um pouco melhor das condições e duração de cada caminho.

A reportagem do Caravana encarou o desafio com outras duas pessoas na última semana (quer ver todas as fotos da aventura? Clique aqui!)Chegamos na quarta-feira por volta do meio-dia e fomos embora na quinta-feira ao fim da tarde. Valeu cada segundo. Nosso objetivo era alcançar o cume do Pico das Prateleiras no primeiro dia e o do Pico das Agulhas Negras no segundo, antes do nosso retorno pra casa. Não deu...

Na quarta-feira andamos bastante, com tempo bom, consegui ótimas imagens mas, infelizmente, não chegamos ao cume do Pico das Prateleiras, pois o tempo não ajudou.

Iniciamos a caminhada um pouco tarde e, como ainda não estamos na época de seca (que acontece entre junho e agosto), o vento forte fazia com que, de repente, as nuvens fechassem os pontos mais altos e até alguns pontos não tão altos, no vale. Chegamos a tentar um ataque ao cume por uma rota não turística, que fomos tentando fazer para alcançar nosso objetivo, mas após algumas passagens difíceis acabamos abandonando a ideia, pois o tempo estava mudando rapidamente.

Pernoitamos no Abrigo Rebouças, que conta com banheiros (sem água quente), cozinha, mesa e várias camas, mas se você quiser ficar por lá a autorização precisa ser pedida com 30 dias de antecedência junto à administração do parque. A outra opção é ficar em algum hotel nos arredores do Parque Nacional, há ótimas opções para se ter um pouco mais de conforto como um banho quente e uma refeição mais elaborada.

De noite, no abrigo, fizemos nosso jantar, algumas fotos noturnas (já que o céu abriu novamente e nos revelou uma quantidade infinita de estrelas que jamais poderiam ser vistas no nosso mundo cotidiano cheio de luzes artificiais) e seguimos pra cama, descansar para começar cedo no dia seguinte.

Consciência x problemas

O segundo dia começou bem cedo. Um café da manhã reforçado, ânimo renovado, mochila nas costas e lá fomos nós tentar alcançar o Pico das Agulhas Negras.

Andamos durante muitas horas e chegamos bem perto do Agulhas, mas novamente as nuvens começaram a vencer o brilho do astro rei e tivemos de desistir da chegada ao cume. Paramos, fizemos nosso almoço com uma bela vista do vale, conversamos, demos muita risada e começamos nosso caminho de volta ao alojamento. Tudo isso sem rancor, sem frustração...

Se o clima nos impossibilitou de chegar ao topo, o jeito foi esperar uma nova oportunidade. Mas aí vale uma dica: não tente forçar a subida a uma montanha com o tempo ruim. Não vale a pena, pois a vista do alto fica prejudicada e o risco de se perder ou de acidentar-se aumenta muito.

Como diz o provérbio chinês, “a viagem é mais importante que o destino”. Então o melhor foi curtur a paisagem, as vistas, o tempo com os amigos, contemplar as sensações e, mesmo sem alcançar o objetivo (no caso, o cume) o passeio foi bastante agradável. Inclusive, fomos agraciados com a aparição do sapo “flamenguinho” (Melanophryniscus moreirae), que atinge no máximo três centímetros e é símbolo do Parque. Até hoje é encontrado apenas nesta região, o que torna o encontro ainda mais emocionante.

Voltamos ao abrigo, fizemos uma comida quente, descansamos, arrumamos as malas e voltamos pra casa muito satisfeitos com o passeio e cheios de histórias pra contar sobre a nossa tentativa de subir o Pico das Prateleiras pelo caminho não convencional.

Infelizmente voltamos também com algumas observações negativas sobre o parque, mais especificamente sobre a administração do local.

Ao chegarmos fomos questionados se possuíamos 30 metros de corda. Mas nem perguntaram o que pretendíamos fazer por lá, e, muito menos, se sabíamos usar uma corda, se tínhamos mosquetões apropriados pra determinado tipo de atividade.

Detalhe: 30 metros de corda na mão de uma pessoa sem conhecimento técnico para usá-la corretamente torna-se inútil. E pior, pois se essa pessoa se perder, a corda vai se tornar um peso morto, o que pode tornar a vida de alguém perdido numa montanha muito mais penosa.

Outro problema detectado foi a falta de manutenção das trilhas. A vegetação estava muito alta (com mais de 1,80 m), algumas placas de orientação simplesmente deixaram de existir, o que nos obrigava a seguir os "totens" de pedra feitos por algumas pessoas que por lá passaram e tiveram a boa vontade de marcar o caminho.

Nestas trilhas, são pequenas observações que fazem muita diferença aos turistas de primeira viagem, já que não há um mapa disponível na portaria. É muito mais importante a pessoa saber pra onde ela está indo, qual a distância até o ponto que ela quer conhecer e as dificuldades pra chegar até lá, do que ser apenas questionado sobre possuir 30 m de corda.

Ficou também clara a má educação de alguns turistas que se aventuram pelo Itatiaia. Bitucas de cigarro jogadas ao chão foram flagradas na trilha bem próxima à entrada do Parque.

Dicas:

Leve blusa grossa, pois lá faz muito frio, mesmo depois de dias quentes; Tenha muito cuidado na estrada tortuosa que leva ao parque, os caminhões que andam no sentido contrário ultrapassam em mais de duas vezes o limite de velocidade e não é raro invadirem a pista de sentido contrário pra não precisarem frear nas curvas; economize no peso da sua bagagem, o local de estacionamento fica a 200 m da guarita, mas o alojamento fica a três quilômetros dali e só se pode chegar a pé; A estrada de terra que leva à portaria do parque está em estado regular, conseguimos fazer o percurso com um carro de passeio comum (porém com algumas batidas embaixo).

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