Raphael Nishimura
Foto: Arquivo pessoal
Nishimura em ação num dos muitos paredões
Raphael Nishimura
Foto: Arquivo pessoal
Rapha é fundador da Paraclimbing Brasil
Raphael Nishimura
Foto: Arquivo pessoal
A distonia muscular não impede o atleta de escalar
Raphael Nishimura
Foto: Arquivo pessoal
Rapha quer mais deficientes praticando a escalada
Superação é a palavra de ordem
Foto: Arquivo pessoal
A superação move os passos de Rapha
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Superação é a palavra de ordem

Terça, 15 Maio 2012 23:00
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Raphael Nishimura, paulistano de 30 anos, é deficiente físico e há quatro anos viu na escalada um desafio além do esporte

A Itália foi palco do primeiro campeonato mundial de paraclimbing, uma categoria da escalada para deficientes físicos. Tal fato, acontecido no ano passado e que parecia isolado, deu início a uma grande iniciativa por aqui, em terras brasileiras.

Raphael Nishimura resolveu, juntamente com o amigo Frederick Gonçalves, criar um projeto social, na busca por encontrar mais atletas brasileiros com deficiência e que curtiam o mundo da escalada. A partir daquele momento nascia o Paraclimbing Brasil.

O projeto dos dois parceiros tem como diretrizes básicas divulgar a escalada esportiva e seus benefícios para pessoas com deficiência física e mostrar a todos o sentido da superação, ou seja, que quando se tem vontade tudo é possível, até mesmo a prática de esportes de aventura e de grande desafio.

Raphael nasceu em São Paulo, tem 30 anos e é deficiente físico. Ele tem distonia muscular desde os oito anos de idade. “É como se, em vez de mandar um sinal para o músculo funcionar, o cérebro mandasse centenas de sinais, causando estes espasmos que, no meu caso, acontecem principalmente no pescoço”, explica o atleta.

Mas as contrações involuntárias nunca fizeram Raphael desanimar, pelo contrário. Ele graduou-se no curso de mídias digitais na PUC-SP, partiu para o MBA em Gestão de TI e logo em seguida engatou uma pós-graduação na área de finanças. Tal esforço lhe rendeu uma vaga na empresa IBM, onde trabalha há sete anos.

A escalada chegou à vida de Rapha, como muitos amigos o chamam, há pouco mais de quatro anos. “Um amigo meu que escala me chamou para ir com ele um dia, disse que achava que me faria bem, quando resolvi experimentar, não parei mais”, lembrou.

“Hoje eu dou preferência para vias longas. Vias esportivas eu também gosto, mas como exigem muita força à recuperação é longa, então não faço muito porque fico mais cansado.”

Quanto aos benefícios do esporte, o escalador diz que no início o ganho foi mais psicológico. “Quando você está na via, precisa estar focado nela, nas agarras, nos movimentos, não dá tempo de pensar em problemas e isso relaxa muito”.

Já o benefício físico foi percebido algum tempo depois. Apesar de Raphael ter sempre adotado esportes como natação e ciclismo, ele notou que com a prática da escalada houve um grande fortalecimento dos músculos, principalmente das costas, assim como o aumento na resistência física.

“A escalada me ajuda muito a manter uma postura mais ereta e a me cansar menos em tarefas rotineiras. Devido à minha condição física, a caminhada é muito trabalhosa, esse é mais um motivo que me faz escalar duas vezes por semana, assim posso me manter em boa forma.”

Projeto engatinha

Quando o assunto é o projeto Paraclimbing Brasil, Raphael lembra que o público alvo está em todos os lugares, no entanto o contato entre os deficientes ainda é difícil. “Sei que tem um cara no Rio de Janeiro que é deficiente visual, mas ainda não consegui fazer contato com ele. Ainda assim, com alguma deficiência parecida com a minha eu nunca fiquei nem sabendo, mesmo em países com maior número de escaladores deficientes, a maioria é deficiente visual ou amputada”, ressalta.

Na etapa do Campeonato Brasileiro da modalidade, deste ano, no Rio, foi criada a categoria Paraclimbing. No entanto só havia um competidor, além de Raphael. E ele não compareceu. O escalador espera que haja mais divulgação da categoria para ver se aparecem mais competidores nas próximas etapas, em São Bento do Sapucaí e Belo Horizonte.

De olho em novos desafios, Raphael foca agora no Campeonato Mundial da modalidade, que ocorrerá entre os dias 12 a 16 de setembro, na França. Para estar presente, o escalador precisa de apoio.

“Eu recebo muita ajuda de empresas parceiras como a ‘4Climb’, loja Adrena, Conquista e Curtlo, que me dão equipamentos, e da academia 90Graus, que me ajuda com o espaço pra treinar. Mas para ir pra França vou precisar de ajuda financeira, pois preciso de cerca de 10 mil reais para cobrir os custos, os meu e os de um acompanhante”, revela.

“Quero ir para representar o Brasil e para ajudar a popularizar a categoria por aqui, adoraria que pessoas que conhecem algum deficiente físico me procurasse para inserir mais gente no mundo da escalada.”

Diante de tal apelo, o Caravana da Aventura abraça a causa e está também ao lado de Raphael. E você pode ajudar de alguma forma o atleta, entrando em contato diretamente com o escalador por meio de seu blog Escalango ou pela página do Paraclimbing Brasil no Facebook ou pelo e-mail pessoal do atleta (raphaelnishi@yahoo.com).

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