'Quero ficar entre os oito melhores'
Foto: Arquivo pessoal
Cesinha treina de olho no Mundial, em julho, na Itália
'Quero ficar entre os oito melhores'
Foto: Arquivo pessoal
Para fazer bonito, ele treina de 28 a 32 horas semanais
'Quero ficar entre os oito melhores'
Foto: Arquivo pessoal
Seu melhor resultado num mundial foi a 15ª colocação
'Quero ficar entre os oito melhores'
Foto: Arquivo pessoal
Apesar do pouco apoio, Cesinha vê modalidade crescer
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'Quero ficar entre os oito melhores'

Quinta, 03 Março 2011 11:31
Daniel Cotellessa | Especial para o Caravana

Apesar da falta de apoio, o escalador Cesar Grosso espera fazer bonito no mundial, na Itália, em julho, e vê crescimento da modalidade no país

O Brasil é tradicionalmente conhecido como o país do futebol, porém existem atletas de outros esportes que lutam por reconhecimento e espaço na mídia.

Cesar Grosso, o popular Cesinha, é pentacampeão brasileiro de escalada, detentor de vários títulos conquistados dentro e fora do pais e um destes atletas com potencial que lutam por um lugar ao sol.

Cesinha é o latino-americano com melhor resultado num mundial (15ª colocação), o que o enche de motivação para seguir treinando duro de olho em mais conquistas.

Por falar em treino, ele dá duro diariamente no ginásio de escalada 90 Graus, onde conta com apoio de todos e é visto como um símbolo de superação na escalada esportiva no país.

Formado em Nutrição e pós-graduado em Fisiologia do Exercício, Cesinha utiliza destes conhecimentos para aliar alimentação e exercício e melhorar sua performance nos treinos e competições.

No momento, Cesinha está focado no Mundial que será realizado entre os dias 15 a 24 de julho, na cidade de Arco, no norte da Itália, e que vai reunir cerca de 600 atletas de 56 paises.

Ainda sem patrocinador, o atleta não perde a esperança de contar com um apoio que possa o ajudar a representar bem o nome do Brasil lá fora.

Na luta por apoio, o atleta, de 26 anos, mantém um blog atualizado, apresentando ali sua carreira e conquistas.

Abaixo, uma entrevista exclusiva que Cesinha deu ao portal:

Caravana da Aventura - Como você conheceu a escalada?

Cesinha - Comecei a escalar em 1995, com 10 anos de idade, quando voltei após as férias escolares. Era uma novidade ainda nas aulas de educação física, um pequeno muro de seis metros. A partir dali virou um fascínio para mim. Mal dormia, sempre pensando naquilo.

- O que levou o Cesinha às competições? Foi uma questão de estabilidade financeira ou algo interior?

- Desde antes de escalar, competia em outros esportes. Já na escalada, era um desafio a mais. Iniciei vencendo o campeonato da escola, depois o interescolar, regional, paulista, brasileiro e sul-americano. Claro que foi um caminho de mais de dez anos, mas sempre me dedicando e desfrutando do esporte, apesar de toda dificuldades com a falta de patrocínio.

- Quantas horas você escala por dia e qual o seu treino para se preparar para as competições?

- Eu treino de 28 a 32 horas semanais. São 4 a 5 horas por dia de treino na parede, mais uma média de 50 km de corrida semanal. Antes da competição, baixo um pouco o volume e a intensidade e foco na técnica para poder aplicar o máximo da minha força no campeonato.

- Com relação ao nível dos atletas brasileiros, existe muita diferença técnica para os atletas estrangeiros? Onde a escalada já faz parte do leque de esportes praticados?

- Com relação à América Latina, o Brasil é uma grande potência e respeitado na escalada. Embora seja o país que menos tem atletas patrocinados. Mas em relação a Europa e os Estados Unidos, aí estamos consideravelmente atrás. Na Espanha ou França, por exemplo, a escalada é quase um esporte popular, com centenas de milhares de praticantes, centros de treinamento, campeonato, mídia, mercado, eventos... Mas ainda assim já conseguimos chegar próximos a estas grandes potencias.

- E sobre patrocínio, existe interesse das grandes empresas no esporte de aventura?

- Existem algumas empresas que apoiam. Mas conseguimos, no máximo, uma ajuda de custo para alguma viagem, ou equipamentos, roupas... O que é difícil convencer as empresas é que sem um patrocínio razoável não se pode estruturar um calendário competitivo e com eventos, e consequentemente compromete a nossa exposição na mídia. Temos que provar para os empresários que, com apoio, nós, atletas, reverteríamos isso, obtendo melhores resultado a cada temporada.

- Você sente um crescimento da modalidade desde quando começou a competir?

- Sim! Sem dúvida! Nas academias e nos “points” de escalada. Os número de praticantes aumentou, assim como o nível do escaladores em geral.

- No ultimo mundial você conseguiu qual colocação? E para o próximo, qual o objetivo?

- Em 2009, depois de um intenso período de treino, consegui a 15° colocação em uma etapa da Copa do Mundo, em Barcelona. Neste ano quero melhorar e ficar entre os oito finalistas. Sei que é uma meta ambiciosa, mas confio no meu potencial. Claro, contando com um bom patrocínio até lá.

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