Thais Makino: movida pela paixão
Foto: Eduardo Bernardino
Thais Makino tem 23 anos e pratica escalada há 12 anos
Thais Makino: movida pela paixão
Foto: Eduardo Bernardino
Makino pratica o boulder que exige enorme técnica
Thais Makino: movida pela paixão
Foto: Eduardo Bernardino
A atleta treina forte de olho no Mundial da Itália
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Thais Makino: movida pela paixão

Terça, 31 Maio 2011 12:02
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Crescida em meio a uma família de escaladores, Thais Makino sofre com a falta de apoio e brilha no cenário nacional graças à paixão pelo esporte

A sorridente atleta já exibe em seu currículo ótimos resultados como o 1º lugar na última etapa do Campeonato Brasileiro (em 2003), a 1ª colocação no Bolder Fest (em 2009) e o título de campeã do Open de Boulder The North Face, em Curitiba, no ano passado, entre outras conquistas importantes.

Thais Makino, 23 anos, escaladora há 12 anos, dedica-se há quatro à escalada em boulder, uma modalidade onde escalam-se blocos não muito altos, sem o uso de corda, e de grande dificuldade técnica.

Antes do treino na academia de escalada Casa de Pedra, a estudante de Artes Visuais que se desdobra entre treinos e faculdade conversou ao Caravana da Aventura sobre sua iniciação na modalidade, as dificuldades encontradas por atletas de escalada no Brasil, o mundo feminino no esporte e suas expectativas.

Caravana da Aventura - Por que escolheu a escalada?

Thais Makino - Minha irmã começou a escalar primeiro. Um dia eu e minha família fomos passear na Pedra do Baú e meu pai viu um amigo dele escalando, minha irmã adorou a ideia. Então meu pai pegou dicas de cursos e colocou a minha irmã em um curso de escalada em rocha. Logo depois eu e minha mãe também começamos a escalar, pra não ficar em casa sem fazer nada. Eu não tive muito tempo de assimilar a ideia, eu era pequena e ia em academias de escalada em São Paulo com a minha família, levava bonecas pra brincar... quando vi estava escalando.

Meu pai até ajudou a fundar e foi presidente da Associação Paulista de Escalada Esportiva (APEE), por ver a necessidade de uma associação que desse suporte e ajudasse a organizar os eventos.

Então hoje é uma casa de escaladores?

Eu e minha irmã treinamos para competir e meu pai, mesmo não estando mais na diretoria da APEE, continua a escalar por lazer, minha mãe precisou parar forçada por alguns problemas no joelho e na coluna.

Como você analisa a situação da escalada no Brasil?

Eu vejo com bons olhos. Acho que está evoluindo, com cada vez mais pessoas interessadas no esporte, inclusive na escala de boulder, que é menos conhecida. Acho que São Paulo está passando por uma fase ruim com relação à organização de campeonatos, diferente de lugares como Rio de Janeiro e Curitiba, que têm tido mais eventos do esporte. Mas isso também é reflexo da baixa adesão dos praticantes às competições.

Mas você acha que isso acontece porque a maioria dos praticantes escala por lazer ou devido a falta de patrocínio?

Acho que a falta de apoio influencia muito. A escalada é uma carreira difícil de ser seguida, então muitos ficam apenas na escalada por diversão.

Qual é a principal dificuldade que um atleta de escalada encontra no Brasil?

É difícil ter um apoio de verdade por parte de um patrocinador, alguém que dê condições para o atleta viver do esporte, que leve os atletas a serio. O cara vem e oferece uma blusa e três camisetas e acha que está apoiando o atleta. Isso é fácil conseguir, difícil é achar alguém que ajude financeiramente.

Eu sou exemplo disso. A maior dificuldade pra mim estava sendo estudar, trabalhar e treinar. Conciliar as três coisas estava sendo muito difícil. Agora consegui o aval do meu pai pra sair do trabalho e ficar apenas com faculdade (que termino em julho) e a escalada, pelo menos até o mundial.

Atualmente, ir pra fora do país parece ser a melhor opção para buscar um bom patrocinador. Pode parecer um pensamento individualista, mas os atletas que estão lá fora têm conseguido um destaque muito maior para o Brasil, o que pode fazer os investidores olharem mais para os nossos atletas

Você está tendo algum apoio de patrocinador?

Não, atualmente conto apenas com o meu “paitrocínio” mesmo.

Como está a participação das mulheres no boulder?

Quando eu comecei era muito difícil ver alguém fazendo boulder, com o aumento do número de praticantes acabou aumentando o número de mulheres que gostam da modalidade. Mas ainda tem muito pouca mulher, talvez por ser uma modalidade que exija mais força, ser mais agressiva.

Mas isso tem mais a ver com as mulheres mesmo ou rola algum tipo de preconceito por parte dos homens?

Eu convivo com muitos escaladores e nunca vi nenhum tipo de preconceito, muito pelo contrário, há um apoio muito grande quando as mulheres chegam para praticar. Inclusive eles ajudam bastante. Acredito que foi graças ao apoio dessa maioria masculina que eu evolui tanto nesses últimos anos. Quando eu comecei a praticar o boulder com os homens, eles me colocavam nos mesmos lugares que eles treinavam, e não tinham dó de mim nem quando eu caia [risadas]... isso com certeza me ajudou muito.

E as expectativas? Você está voltando depois de dois meses parada. Como está seu preparo e qual é o próximo passo?

Ainda sinto um pouco de dor, principalmente agora que aumentei a intensidade dos treinos. O objetivo é chegar bem ao Campeonato Mundial de Escalada, em julho, na Itália. Estou super animada pra ir pra lá e espero me sair bem. Na volta, se eu conseguir patrocínio, espero poder me dedicar apenas ao esporte. Mas acho que, por enquanto, no Brasil vai ser difícil viver apenas como atleta.

 

* A entrevista com Thais Makino foi realizada na Casa de Pedra (Fone: 3875-1521/3873-8178), em Perdizes, ginásio considerado o "templo" da escalada no país.

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