Parte 3: “Trem das Nuvens” é uma locomotiva de história
Foto: Eduardo Bernardino
O trem percorre uma linha férrea inaugurada em 1948, que ligava Salta, na Argentina, ao porto de Antofagasta, no Chile, e atinge em seu ponto mais alto a 4200 m de altitude

Parte 3
“Trem das Nuvens” é uma locomotiva de história

Segunda, 28 Março 2011 Eduardo Bernardino Pedro Cattony | Do Caravana

No dia seguinte, levantamos ainda de madrugada para pegar o badalado "Trem das Nuvens". Em um percurso de 217 km, ida e volta, o trem parte de Salta em direção ao viaduto La Polvorilla, seu ponto mais alto, cruzando por 29 pontes, 21 túneis, 13 viadutos e 2 zigues-zagues.

Trata-se de uma linha férrea inaugurada em 1948, que ligava Salta, na Argentina, ao porto de Antofagasta, no Chile. A recuperação de dez vagões e locomotivas que compõem o trem exigiram investimentos de 45 milhões de Pesos do setor privado e 27 milhões para obras de recuperação das vias financiadas pelo próprio governo argentino.

É a composição férrea de percurso mais elevado do mundo. Hoje, o "Tren a las Nubes" funciona de quinta e domingo e se dedica exclusivamente ao transporte de turistas.

A viagem começou cedo, partimos por volta de 6h30. Depois de cerca de 2h de viagem, já não víamos mais vilarejos ou pessoas pelas janelas. A poeira erguida pelos ventos fortes dos Andes acrescentavam dourado à paisagem quando, em suspensão, era atingida pelos raios de sol.

As poucas nuvens que ousavam se erguer além das montanhas difundiam a luz do dia sobre a cordilheira e davam um aspecto suave aos contornos da paisagem.

Entre explicações sobre a engenharia da ferrovia e refeições servidas à bordo, o chá de coca já se fazia presente e, além dele, havia a possibilidade de respirar direto de cilindros de oxigênio para amenizar os efeitos da altitude.

O deslocamento vertical de cerca de 3000 metros é feito em pouco mais de sete horas de viagem, o que costuma causar certo desconforto para quem veio de cidades mais baixas.

A chegada no ponto mais elevado do trajeto e em sua ponte mais audaciosa, La Polvollira, à cerca de 4200 metros de altitude, foi marcada pela execução do hino nacional argentino.

Mesmo que com organização comunitária ainda precária, os habitantes de San Antonio de Los Cobres começam a colher os primeiros frutos da reinauguração da ferrovia. Entre eles, uma universidade comunitária, cujo curso de destaque é o de Ecoturismo. Até a data de nossa viagem, três guias formados pela universidade faziam parte do quadro de funcionários da empresa “Tren a Las Nubes”.

De volta a San Antonio de Los Cobres, decidimos experimentar a comida vendida pelos ambulantes que aguardam os turistas. Talvez, nossas chances de recuperação rápida fossem maiores se tivéssemos lambido o chão, mas não... Decidimos comer uma espécie de mega empanada requentada ao ar livre e manuseada nas condições mais precárias possíveis. Dito e feito, a lição veio 10h depois de nossa aventura gastronômica em forma de náuseas e cólica.

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Comentários

  • Geraldo Dalla Nora
    Geraldo Dalla Nora
    08 Maio 2012 at 11:56 |

    Uma pena que no Brasil as ferrovias ainda continuam abandonadas, o trem é um dos meios de transporte mais seguros que existem, Gostaria de saber porque este trem que originalmente ia até Antofogasta na costa do Oceano Pacifico não completa mais o trajeto.

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