Parte 2: No rastro do felino
Foto: Pedro Cattony
Na condição de maior estrela do Pantanal, a onça pintada é o grande objetivo dos turistas que visitam a região na busca por pelo menos uma foto do felino

Parte 2:
No rastro do felino

Segunda, 10 Janeiro 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

A chegada ao Porto Jofre foi marcada pelo cheiro adocicado de frutas como o jenipapo que, maduros, tomavam grande parte do chão da estrada. Para dormir, tendas suspensas por grandes tablados, que serviam de suporte para camas, mesas, cadeiras e até um ventilador, foram montadas sob a copa de grandes árvores. Ali teríamos o apoio para nossa empreitada nos rios da região.

É difícil imaginar uma noite silenciosa na mata, principalmente na época das cigarras. Após o pôr do sol, o som produzido por um coral desses insetos fazia qualquer alarme de cidade grande parecer música. Mas a medida que as estrelas se apresentavam no firmamento, o silêncio das cigarras pagava tributo ao grande espetáculo proporcionado pelos céus do Pantanal. E quem diria, uma noite tranquila e bem dormida!

No dia seguinte, levantamos cedo e saímos de barco em busca de onças pelos afluentes do Rio Paraguai. Ainda na madrugada, vi os primeiros raios de sol surgirem de dentro do rio, quebrando o silêncio da madrugada com o som das aves que tomavam seu primeiro voo depois de uma noite de descanso.

Nossa primeira onça foi vista por volta das 7:30h, mas, entre arbustos densos, continuou visível apenas o suficiente para nos deixar com vontade de encontrar outras pelo caminho. Subimos e descemos o rio algumas vezes e a cada curva, a cada praia de areias claras que cruzávamos, aumentava a expectativa de encontrar outra onça descansado ou, até mesmo, caçando.

No final da tarde, cruzamos com pescadores que haviam avistado uma das grandes a poucos quilômetros de onde estávamos. Com o sol já baixo, retiramos a lona que nos protegia e o barco ganhou velocidade. Os sairus já saltavam em busca dos insetos que cobriam a superfície da água e alguns morcegos já saiam de suas tocas para compartilhar o banquete. Observar a dinâmica da vida no Pantanal fazia o tempo passar rápido. Em poucos minutos estávamos frente a frente com outra onça. Dessa vez, ela se divertia em um barranco dando tapas em um sapo. Talvez um aperitivo, mas nada que fosse satisfazer o apetite de um predador de cerca de 140kg.

Já sem a luz do sol, continuamos por mais alguns instantes observando o animal com o auxílio de lanternas. Por vezes, o perdíamos de vista, mas podíamos ouvir seus botes frustrados sobre jacarés que se escondiam sob o água-pé das margens. Em algumas tentativas, o estrondo do bote foi seguido pelo silêncio de mais uma vítima.

Na manhã seguinte, o barco equipado com rádio recebe mais uma notícia sobre uma onça descansando em um dos barrancos do rio Piquiri. Seriam alguns minutos até encontrarmos o local. No caminho, lontras e ariranhas se refugiavam de nossa curiosidade entre árvores caídas no rio e, também, em tocas cavadas no barranco exposto pela estação seca. Os filhotes, ainda ingênuos, retribuíam a curiosidade e se exibiam sob os olhares atentos das mães.

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Comentários

  • Stefan Kardos
    Stefan Kardos
    01 Fevereiro 2011 at 07:42 |

    Zaujimave citanie, akoby som tam bol. Viem si to zivo predstavit. :-)

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