Parte 1: Ilha Grande, uma travessia de volta ao passado
Foto: Pedro Cattony
A água transparente da Ilha revela a grande quantidade de vida marinha sob as águas de tom esverdeado que fazem da região uma cópia do paraíso

Parte 1:
Ilha Grande, uma travessia de volta ao passado

Quarta, 03 Agosto 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

O Caravana convida você, amante da natureza, a fazer com a gente uma travessia pela Ilha Grande e suas histórias do tempo em que ali abrigava-se a temerosa colônia penal de Dois Rios

A volta em torno da Ilha Grande é uma das travessias mais conhecidas e gratificantes do país. A ilha, além de preservada, alimenta o imaginário de quem a caminha com as histórias de caiçaras sobre os tempos do presídio. A paisagem abranda o cansaço com suas praias paradisíacas, vegetação e fauna exuberantes e costões rochosos que mergulham no mar de tons verdes.

Cheguei em Angra dos Reis com céu estrelado e minhas expectativas tomaram as proporções deste céu. Dia limpo, sol, praia e muita caminhada pela frente. No entanto, no dia seguinte, me levantei com o tempo fechado. Com alguns dias de folga na minha programação, resolvi seguir viagem e tomar o barco rumo à Vila do Abraão, onde me abriguei até que o tempo melhorasse.

Foram três dias de espera. As promessas dos caiçaras mais experientes e marinheiros me animavam. Ouvi muitos discursos sobre as ações dos ventos Leste e Sudoeste e, realmente, não sei em qual dos dois depositar minhas frustrações. Os ventos vindos do sudoeste trouxeram as nuvens que adiavam o início da caminhada, mas, por outro lado, contribuíram para melhorar a visibilidade dentro d’água.

Sem tempo aberto para caminhar e com promessas de que ventos vindos do leste limpariam o céu nos próximos dias, o mergulho com snorkel passou a ser minha primeira opção naquele momento e, alem disso, entendi que eu teria uma pequena janela de oportunidade para mergulhar uma que os ventos de leste agitam as águas e diminuem sua visibilidade.

A água transparente revelou grande quantidade de vida sob as águas de tom esverdeado que fazem do lugar uma cópia do paraíso. Minha primeira parada foi no famoso helicóptero.

Anos atrás, um acidente envolvendo a aeronave ocorreu nas proximidades da ilha. Os destroços foram guinchados até a costa, onde passaram a servir como apoio para desenvolvimento de corais e, também, como abrigo de uma garoupa que, hoje, vive em seu interior rodeada por estrelas-do-mar e corais-sol. Os sete metros de profundidade deste ponto não exigem cilindro para a prática do mergulho, apenas um bom fôlego.

Na mesma manhã, visitei as lagoas Verde e Azul, que fazem jus aos nomes, e fui procurar por tartarugas em uma fazenda de algas próxima à praia Grande de Araçatiba. Mais mergulhos, muitas estrelas, sargentinhos, peixes-agulha, tartarugas e até golfinhos. Isso mesmo! Golfinhos! Os danados cruzavam a frente do barco e nos acompanhavam em uma coreografia frenética de saltos curtos e bem calculados.

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