A Comunidade
Foto: Pedro Cattony
As comunidades ribeirinhas apresentam ainda traços indígenas, extraindo da terra não só o alimento diário como também remédios naturais contra várias doenças

A Comunidade:
Ribeirinhos x Modernidade

Domingo, 24 Abril 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

É fácil notar traços indígenas nas comunidades ribeirinhas que se espalham pelas margens do rio Negro e esses traços não foram as únicas coisas preservadas nestas pequenas populações. Os conhecimentos sobre a floresta continuam passando de geração para geração e a grande distância dos centros com atendimento médico acaba fortalecendo e preservando este conhecimento.

A base da alimentação é o peixe e a mandioca, o ouro do ribeirinho. Além disso, as comunidades locais também vivem da caça e do extrativismo vegetal, como é o caso da castanha-do-pará, do açaí e da palmeira "Jauari", que lhes fornece um palmito muito nutritivo.

Nos mesmos roçados onde se planta mandioca, pode-se encontrar plantas como e a Sucuba, que apresenta propriedades antibióticas; o Cumaru, que é base de perfumes e incensos e a Naja, que é capaz de estancar hemorragias.

Da mata fechada vem outras riquezas como as oferecidas pela resina do Amapazeiro, com a qual se prepara um "leite" nutritivo para crianças, e, também, riquezas oferecidas pela resina do Breu, que quando incendiada libera uma fumaça que alivia dores de cabeça.

Do Arabá, os ribeirinhos aprenderam a se comunicar e se localizar em distâncias que chegam à três quilômetros em uma selva menos densa. Da Tapiba, uma espécie de formiga, aprenderam a despistar predadores esfregando-as contra o corpo.

A floresta é uma extensão destas comunidades e, como tal, é respeitada desde muito cedo. O turismo trouxe novas possibilidades e expectativas. Entre elas, a educação. A verba arrecadada com iniciativas que envolvem turismo já trouxe benefícios como geradores de energia e comunicação via rádio para comunidades mais isoladas.

Além disso, o crescimento destas atividades desperta interesses maiores pela preservação de recursos naturais e humanos, evitando que o conhecimento de gerações seja sobrepujado pelos anseios das facilidades oferecidas pela vida moderna.

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