O Personagem
Foto: Pedro Cattony
A caiçara Janete faz parte da quinta geração de sua família nascida na praia de Parnaioca, cuja o pai foi funcionário da colônia penal de Dois Rios

O Personagem:
Janete, dos tempos do medo ao prazer da vida caiçara

Quarta, 03 Agosto 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

Na chegada à Parnaioca, fui recepcionado por Janete, um dos quatro moradores da praia. Ouvi as histórias de sua infância, da angústia de ter o pai trabalhando no presídio e do medo que assolava a vila a cada noite que caia sobre a praia. O paraíso, por vezes, parecia ser esquecido.

Hoje com 49 anos, Janete faz parte da quinta geração de sua família nascida naquela praia. Seu pai, funcionário da colônia penal de Dois Rios lhe deu a chance de sair para estudar. Janete o fez, voltou e permaneceu na Parnaioca para lutar pela preservação do ambiente e costumes e pelos direitos de populações caiçaras tradicionais da ilha, que sofrem com a especulação imobiliária e com o decreto de fundação do Parque Estadual a partir de 2007.

A caiçara, conta orgulhosa sobre o apogeu da Parnaioca, que na década de 40 e 50 chegou a ter cerca de mil moradores e fornecia peixes para o restante da ilha e até para Angra dos Reis. Com a transferência da capital administrativa para Brasília, o presídio passou a ser controlado pelo Estado do Rio de Janeiro. A partir de então, começaram as fugas e o período de medo, que assolou moradores e os afastou de suas origens.

Nascida em 1962, Janete conta ter vivido este medo. A Parnaioca era uma das primeiras praias na rota de fuga de detentos, uma vez que a Vila do Abraão apresentava um destacamento policial permanente. Os fugitivos chegavam, faziam reféns por vezes e, no desespero de quem passou dias escondido na mata à mercê das intempéries e da fome, procuravam por maneiras de escapar da ilha. Barcos eram roubados e mulheres viviam o medo de serem violentadas.

Com a demolição do presídio, o turismo surgiu como alternativa, mas a insegurança que assolou estas famílias da Parnaioca as afastou definitivamente. Hoje, a praia não tem mais do que 10 habitantes permanentes e, apesar da falta de estrutura como eletricidade e comunicação, Janete diz ser gratificante viver em um lugar onde a natureza tem tanto a oferecer.

Compartilhe

Comentários

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x