Parte 1: Jalapão é contemplação e aventura logo de cara
Foto: Pedro Cattony
O Cânion Suçuapara surpreende com um intrigante som de gotas d’água que escorrem por paredões cobertos de musgos, num espetáculo único da natureza

Parte 1:
Jalapão é contemplação e aventura logo de cara

Domingo, 17 Abril 2011 Eduardo Bernardino Pedro Cattony | Do Caravana

Em meio às belezas do cerrado e de buritis denunciando grandes veredas pelos sertões da região, a canoagem pelo potável Rio Novo oferece duas horas de aventura e contemplação da natureza

Mesmo após 14 horas de atrasos aéreos acumulados, chegamos a Palmas animados para, na manhã do dia seguinte, seguir para o Jalapão, talvez uma das maiores atrações que o estado do Tocantins tem a oferecer.

De Palmas, sua capital, até a cidade de Ponte Alta do Tocantins, porta de entrada para quem deseja explorar o Parque Estadual, levamos cerca de duas horas entre preces e a esperança de que, em pleno mês de abril, as chuvas nos dariam alguma trégua e o firmamento nos brindaria com céu azul e noites estreladas, daquelas que só a distância dos grandes centros urbanos pode oferecer!

Começo de viagem, corpos descansados, esperança a flor da pele, alcançamos o Jalapão em mais uma hora e meia de estrada. O tempo aberto e os raios de luz do final da tarde traziam o verde revigorado pelas chuvas e tons de dourado do capim que se intercalava com árvores dos campos de cerrado.

No horizonte, buritis denunciavam veredas nos sertões do Jalapão. A água, que parece ter sido vencida pela aridez da região onde as árvores se retorcem à mercê dos caprichos do sol, corre discreta sobre a vegetação e se infiltra no solo arenoso lentamente.

Em nossa primeira parada, uma trilha curta nos expões ao som intrigante de gotas d’água. Na altura dos olhos, uma das muitas veredas deixava a água retida pela vegetação baixa escorrer por paredões cobertos de musgos de um pequeno cânion, nomeado Cânion Suçuapara.

As raízes das árvores de maior porte desciam da vereda em direção ao pequeno córrego formado logo abaixo. Suas copas filtravam a luz e a espalhavam de forma homogênea para que nenhum detalhe fosse perdido em sombras. O som das gotas, aos poucos, deu lugar ao vigor de uma pequena queda d’água que jorrava de uma fenda. Lá dentro, tudo era eco... Cada sentimento parecia se amplificar e reverberar em nossas mentes agradecidas por aquele refresco frente ao tempo abafado de minutos atrás. A parada foi rápida, mas suficiente para nos mostrar que muita surpresa ainda estava por vir.

Aos olhos mais ingênuos, o cerrado pode parecer pobre... Na superfície, a vegetação rasteira e algumas árvores de maior porte e com troncos tortuosos, espessos e escurecidos parecem indicar que, ali, as queimadas limitam o crescimento da plantas. Todavia, a maior riqueza do cerrado está debaixo da terra. Em raízes que se adaptaram as condições mais precárias e que têm no fogo o catalisador da vida. Muitas espécies do cerrado dependem dele para germinar e dar continuidade ao ciclo de morte e renascimento pelo calor das chamas.

Já com o sol se escondendo, chegamos ao acampamento. Tempo para um banho e, também, para organizar as mochilas em nossas tendas enquanto o jantar era preparado em outra grande tenda ao lado.

As corredeiras

Na manhã seguinte, nuvens levavam nossas expectativas embora e traziam apenas uma certeza: tempo fechado! Caímos no Rio Novo, um dos últimos rios de água potável do mundo, com caiaques, para cerca de duas horas de descida em corredeiras de baixa dificuldade, porém, que pede o bom senso não se aventurar por conta própria.

Em certa parte da descida há uma bifurcação e, se seguir pro lado errado, vai seguir para uma zona do rio cheia de pedras e águas mais violentas. Os caiaques respondiam rapidamente às remadas e nossas proas se jogavam em zig-zags frenéticos a cada investida de nossos remos. Nas corredeiras, menos força e mais direcionamento.

Sem grandes dificuldades, pudemos apreciar a mata preservada e as praias que se formam ao longo do curso d’água e superamos as corredeiras uma a uma até que o calor falasse mais alto e nos arremessássemos no curso de águas cristalinas em busca de alívio para o corpo que esquentava mesmo com o tempo encoberto. "Aqui, com ou sem sol, todo mundo fica douradinho", brincava Seu Miguel, um dos nossos guias, já acostumado com o clima do Jalapão.

Terminada a descida, seguimos para o almoço e, em seguida, partimos para as famosas dunas.

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Comentários

  • edvard pereira
    edvard pereira
    02 Janeiro 2012 at 11:30 |

    Parabéns pelas excelentes reportagens, fotos e vídeos sobre sobre esta belíssima região, o Jalapão, ainda pouco explorada do Brasil (felizmente), e que muito me ajudaram na tomada de decisão de visitá-la agora em 2012, embora há muito tempo assim o desejasse. É lamentável o incidente ocorrido envolvendo a emissora do "plim plim", que, como dito, teria usado e abusado de serviços públicos em benefício próprio. Caberia até uma ação contra tal abuso, se de fato ocorreu, como narrado no capítulo intitulado "Imprevistos", tendo em vista que o Jalapão é um bem de todos. Agora uma pergunta que não quer calar, se as gravações eram para a novela Araguaia, o que eles estavam fazendo no Jalapão? Perderam-se pelo caminho? Parabenizo-os também pelas outras reportagens divulgadas nesta página, todas de elevada qualidade jornalística. Até a próxima!

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