Parte 2: Dunas, poço, cachoeira... Haja fôlego!
Foto: Pedro Cattony
A Cachoeira da Formiga não apresenta grande queda d'água, porém é um brinde aos olhos dos visitantes que mergulham em suas águas de azul cintilante e um verde esmeralda

Parte 2:
Dunas, poço, cachoeira... Haja fôlego!

Domingo, 17 Abril 2011 Eduardo Bernardino Pedro Cattony | Do Caravana

Das areias de quartzo das dunas ao Poço do Fervedouro, a região revela uma descoberta a cada parada. A pequena Mateiros é o local onde o artesanato e os sabores da região se revelam

Nas dunas formadas por areia de quartzo, o tempo fechado desviava nossa atenção da paisagem para as inúmeras pegadas dos mais diversos habitantes do cerrado. Lobos-guará, cervos e, até mesmo, onças deixam suas passagens registradas nas areias acobreadas do deserto do Jalapão.

Uma olhada para cima e era fácil notar as encostas avermelhadas, graças à abundância do monóxido de ferro, de enormes platôs desgastadas pelo vento. É dessa erosão que vem a areia, trazida pelo vento, para formar as dunas que vão se moldando também à vontade das brisas que carregam os grãos de areia incessantemente.

Com o cair da noite a permanência nas dunas fica um pouco mais arriscada devido a presença de animais peçonhentos, então seguimos de volta para o acampamento para o merecido descanso depois de um dia cheio de aventuras.

Choveu a noite inteira, o que nos deu mais uma vez a esperança de tempo aberto no dia seguinte. Mas ao despertar percebemos que ainda não seria desta vez que veríamos o brilho do astro rei. Seguimos em direção ao Poço do Fervedouro.

O local é um poço de cerca de seis metros de diâmetro, com fundo de areia branca e formado por uma nascente de água que, devido à pressão ao brotar do chão arenoso, não deixa as pessoas afundarem. Isso nos dá uma incrível sensação de flutuação.

A preocupação com a preservação do local faz com que só possam entrar seis pessoas por vez no poço, o problema disso é que fora dele os mosquitos atacam sem dó, levando as pessoas a passarem repelentes químicos, que logo são levados à nascente na hora do mergulho e podem causar problemas ambientais.

Risadas, banho e picadas mais tarde, fomos para a Cachoeira da Formiga, uma cachoeira de poucos metros de altura e águas claras que saltam aos olhos com seus tons de azul e verde esmeralda, dependendo da incidência da luz, e pequenos peixes que nadam em sua correnteza.

A força da água parece ter, propositadamente, esculpido as pedras em formas anatômicas, transformando o local em uma grande banheira de hidromassagem. Voltamos ao camping para almoçar mais uma vez com a certeza de que "atividade aquática dá muita fome".

Mais tarde conhecemos a cidade de Mateiros. O local não traz grandes atrativos, vale a pena ir até lá para conhecer e comprar o artesanato de Capim Dourado, em uma cooperativa de artesãos, e experimentar sucos de frutas do cerrado.

Desta vez a noite veio estrelada como se dissesse para nos prepararmos, pois no dia seguinte haveria uma dura caminhada debaixo de sol.

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