A Comunidade
Foto: Pedro Cattony
A Ilha Grande apresenta 21 comunidades caiçaras e cerca de 7.500 moradores em seus 12.052 hectares de pouca infraestrutura como a falta de energia elétrica

A Comunidade:
A simplicidade caiçara, suas dificuldades e costumes

Quarta, 03 Agosto 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

A ilha, que conta com 21 comunidades caiçaras e cerca de 7.500 moradores, foi colonizada no Século XVIII para produção de cana e, posteriormente, café, que entrou em decadência com o final da escravidão.

As dificuldades do lado da ilha voltada para o oceano, mais preservado e selvagem, são muitas. A falta de energia e a submissão às intempéries do mar são só alguns dos problemas de quem manteve suas raízes por lá.

No decorrer dos dias, o tempo passa a ser a medida suprema, não se fala mais em distâncias a serem percorridas e sim da proximidade do por do sol. Assim, junto com os ventos e com a maré, o tempo rege o cotidiano destes ilhéus.

Ainda no Abraão, conheci seu Tião Onça, que me contou sobre suas aventuras percorrendo a ilha a pé durante sua juventude. "Quando não dava muito peixe, a gente comia aquele peixe seco com abóbora, aipim, farinha da terra... E ia vivendo!" Será a simplicidade o segredo dos 80 anos de seu Tião Onça e de tantos outros caiçaras?

Também ouvi muito sobre o café-de-cana, herança dos tempos em que a cana reinava na Ilha. Trata-se de café coado com garapa fervida.

Nas comunidades sem energia elétrica, é comum se deparar com a divisão do produto do trabalho dos caiçaras. Alguns se dedicam mais à pesca, outros ao cultivo de mandioca e produção de farinha. Os excedentes são distribuídos para evitar perdas e racionalizar o consumo. Mas o esforço coletivo, como em tantas outras praias, tem sido ameaçado pela especulação imobiliária, que aos poucos, muda a paisagem do litoral brasileiro.

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