A Comunidade
Foto: Pedro Cattony
A vida simples é uma marca registrada do povo pantaneiro, que começa a enxergar no turismo uma chance real de valorizar e propagar seu legado cultural

A Comunidade:
Pantaneiros “abraçam” o ecoturismo e descobrem a importância da conservação

Terça, 11 Janeiro 2011 Pedro Cattony | Do Caravana

O pantaneiro tem nas veias o sangue de índios e dos bandeirantes portugueses, que ali chegaram em busca de ouro pelos rios Tietê, Paraná e Paraguai.

Portugueses, índios e, ao longo da guerra do Paraguai, paraguaios e bolivianos deram início ao mosaico de influências que compõe o pantaneiro. O declínio do ouro na região trouxe a pecuária extensiva e os anos de comunhão com os ciclos naturais da região acabaram por moldar o pantaneiro que conhecemos hoje. Servo das intempéries, o pantaneiro guia o rebanho de acordo com as imposições do ambiente e se torna itinerante, sem pouso fixo durante meses.

Na dieta de quem precisa ser resistente há peixes em abundância, carnes vermelhas e muito arroz. De fala e jeito simples, o pantaneiro se solta ao som da viola paraguaia e não resiste a uma fogueira e a um bom churrasco. E é em torno desta fogueira que são divididas as histórias e feitos de quem cruza a planície alagada à frente de uma comitiva.

No Pantanal, o determinante é que ambos sobrevivam: o pantaneiro e o gado. Para tanto, surgem heróis como os antigos “zagaieiros”, caçadores de onça. A zagaia, uma lança de ferro fixada a um cabo de madeira de lei, era escorada no solo para varar o animal, que, quando ferido ou acuado, se atirava contra o caçador afim de atacá-lo. Grande prêmio para quem via no gado seu sustento e no animal morto mais uma prova de sua valentia.

Hoje, os pantaneiros começam a enxergar no turismo uma chance de valorizar e propagar seu legado cultural. Além disso, entendem com maior facilidade as delicadas relações que permeiam o equilíbrio da vida no Pantanal. “Pode ser um pequeno pássaro, mas ele tem significância aqui!”, explica César, boiadeiro e guia turístico há poucos anos.

Onças e outros animais, antes mais ameaçados pela cobiça de caçadores e traficantes, passaram a ser guardados pelos olhares atentos de quem encontrou sustento e oportunidades de crescer com o ecoturismo e com a conservação.

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