De volta e para fazer a diferença
Foto: Arquivo pessoal
Maria Helena (ao fundo, à esquerda) durante uma aula
De volta e para fazer a diferença
Foto: Arquivo pessoal
Acima, alguns trabalhos do projeto "mulheres artesãs"
De volta e para fazer a diferença
Foto: Arquivo pessoal
Maria Helena posa, com orgulho, ao lado dos alunos
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De volta e para fazer a diferença

Terça, 01 Março 2011 10:56
Pedro Cattony | Do Caravana

Depois de 39 anos fora do país, a demógrafa Maria Helena volta ao Brasil, adota a Ilha do Araújo como casa e abraça os costumes da comunidade local

É comum procurar por uma coisa e encontrar outra completamente diferente pelo caminho. E, algumas vezes, podemos encontrar algo muito mais valioso do que o que buscávamos. Foi exatamente isso que aconteceu com Maria Helena Henriques Mueller, que na ânsia de encontrar sossego no litoral brasileiro, acabou se deparando com a chance de fazer a diferença em seu país.

Nascida em Recife e criada na cidade do Rio de Janeiro, Maria Helena se pós-graduou em demografia em grandes universidades como UC/Berkeley e Harvard, trabalhou para a Organização das Nações Unidas (ONU) e, também, para UNESCO, onde permaneceu por dez anos como chefe do programa de juventude.

Aos 62 anos de idade e depois de 39 anos fora do país, retornou ao Brasil e buscou um lugar calmo para viver. Encontrou paz e desafios na Ilha do Araújo, em Paraty, e decidiu se envolver em projetos com comunidades caiçaras.

"No começo, ninguém sabia quem eu era e a que vinha. Cheguei de mansinho, coloquei-me à disposição do pessoal da Ilha do Araújo, comecei a aparecer em reuniões locais e o envolvimento foi aumentando."

Maria Helena afirma que a cultura caiçara está submersa no que se chama de cultura popular e os projetos nos quais se envolveu são um reforço para manter esta identidade cultural.

Como vive na Ilha do Araújo, decidiu começar por lá e seu primeiro desafio foi conhecer a cultura caiçara nos seus saberes e afazeres. "Viver aqui melhorou a minha saúde, bem estar e preparação física. Quanto à qualidade da minha alimentação, nem se fala: quem não gosta de um peixinho fresco? Ando muito no meu barquinho, pego vento, chuva, mas me sinto bem. Tenho intimidade com a natureza, aumentei as minhas reflexões comigo mesma e sinto que estou contribuindo para a vida de um bom número de pessoas destas comunidades."

Solidariedade e esperança

Depois de três anos de iniciativas, alguns avanços já foram conquistados, entre eles o financiamento para três projetos na própria Ilha: ponto de leitura, cultura caiçara e mulheres artesãs.

Maria Helena conta que este último tem sido uma ótima maneira de compartilhar experiências, solidariedade e esperanças com mulheres das comunidades envolvidas.

O turismo estruturado e responsável é um dos objetivos a se alcançar. Aos poucos, turistas começaram a chegar às comunidades caiçaras, o que traz oportunidades para desenvolver passeios e atrativos.

"O grande perigo é o turismo predatório, a falta de compromisso com a gente e a natureza. É preciso conversar muito com os caiçaras para que eles valorizem o que são e o que têm e, também, trabalhar com os receptivos para que aumentem a duração dos pacotes e incluam elementos de turismo cultural. Por enquanto ainda estamos no começo..."

Há outros projetos em comunidades como o da Praia da Ponta Negra, em Paraty, onde Maria Helena ensina inglês e francês. “Os cursos vêm sendo uma maneira de me aproximar das comunidades, o que era o meu objetivo maior. Falar outra língua dá um empurrão na autoestima. Levo, sempre que posso, amigos estrangeiros para as aulas e a timidez já não existe entre os alunos mais antigos. Na verdade alguns deles continuam a comunicação com os estrangeiros jovens via redes sociais.”

Maria Helena conta que as motivações para se aprender outra língua são muitas, desde a chance de se estabelecer diálogo com turistas até viajar para o exterior ou, simplesmente, entender um filme estrangeiro. “Os sonhos são muitos!”

Alimentar os sonhos dessas comunidades e dar condições reais de crescimento pessoal é um grande exercício de cidadania praticado por Maria Helena e, como tal, deve servir de exemplo e, mais importante do que isso, ser posto em prática por outras pessoas em suas comunidades.

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Comentários

  • leila Woiski
    leila Woiski
    18 Março 2011 at 11:46 |

    é de pessoas imprescindíveis assim que o Brasil precisa.

    vida longa pra Maria Helena!

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