Amilton e sua arte de esculpir madeiras
Foto: Eduardo Bernardino
Amilton faz do artesanato sua vida e deseja ir além
A arte de esculpir madeiras
Foto: Eduardo Bernardino
As esculturas surpreendem pelos detalhes e formas
Amilton e sua arte de esculpir madeiras
Foto: Eduardo Bernardino
O artesão trabalha em conjunto com o meio ambiente
A arte de esculpir madeiras
Foto: Eduardo Bernardino
A consciência ecológica é um diferencial de Amilton
A arte de esculpir madeiras
Foto: Eduardo Bernardino
Dar aulas de artesanato é um desejo do artesão
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O dom de transformar lixo em arte

Segunda, 27 Junho 2011 14:05
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Amilton Mendes, o popular Pica-pau, é um artesão de mãos hábeis e consciência ecológica: "Temos que se unir pela mãe natureza", avisa

Nascido na Bahia, o mais velho dos oito irmãos, Amilton Mendes, o popular “Pica-pau”, fala pouco da infância. Apenas lembra que foi sofrida e que não tem boas recordações de sua terra natal. “Desde cedo eu era muito curioso e cheio de ideias, gostava de pesquisar sobre as coisas, queria saber de tudo. Mas minha família achava que eu era meio louco e eu acabava apanhando”, recorda. "Vim conhecer a felicidade aqui, ao lado da minha esposa e dos meus filhos".

Reticente em falar mais do passado, Pica-pau logo desconversa e começa a contar como começou a trabalhar com reaproveitamento de madeira para fazer móveis, placas e peças de decoração.

Cansado e inconformado com a vida que levava na Bahia, onde vivia de trabalhar na roça, pescar de noite para vender e fazer serviços gerais, Pica-pau foi pra São Paulo tentar uma nova vida.

Logo que chegou, conseguiu emprego na indústria, mas não se adaptou. Então foi para a construção civil e voltou posteriormente para a indústria... Enfim, viu que não teria muita oportunidade de crescer ali, e que não encontraria a felicidade desta forma: “Eu queria ter meu negócio próprio, buscar meus ideais, mas ainda não tinha certeza do que queria fazer.”

Pica-pau voltou a estudar em um supletivo para se alfabetizar e foi vender enciclopédia de porta em porta. Naquele momento, Amilton começou a ver que uma parte do seu talento estava ali mesmo, pois tinha “feeling” para as vendas.

Nas horas vagas ele desenhava e fazia algumas esculturas. Adorava desenhar e esculpir mulheres em poses sensuais. Quem não gostava muito desse “hobbie” era sua esposa, que conheceu em São Paulo apenas um ano depois de chegar na cidade. “Ela sempre me dizia pra parar com aquilo, não entendia que eu tinha revistas de mulheres nuas para copiar as formas e não pela pornografia”, diz o artesão entre risadas.

Certo dia a mulher lhe desafiou, perguntando porque então ele não esculpia um homem. Pica-pau aceitou o desafio e fez sua primeira escultura masculina. "Eu fiz um homem bem musculoso e com o pênis ereto. E só de raiva eu coloquei a escultura na janela de casa.”

Acabou que algum tempo depois alguém que passava por aquela janela viu a escultura, gostou, perguntou o preço e comprou a peça por R$ 250,00. O artesão acabara de descobrir o que gostaria de fazer para o resto da vida: esculpir em madeira.

Hoje, quem passa pela Avenida do Cursino, na Zona Sul de São Paulo, e vê um homem trabalhando onde antes existia uma loja, dentro de um posto de gasolina fechado, não tem noção de que ali são feitas belas peças de artesanato.

No ritmo da “mãe terra”

A madeira usada vem do lixo, Amilton anda com uma carroça para procurar a matéria prima para os seus trabalhos. A busca é feita em terrenos baldios, caçambas, margens de córregos… Segundo o artista, muito material bom é achado, “eu encontro muita madeira boa jogada fora por pessoas que nem sabem o valor daquilo. Acho Jacarandá, Ipê, Mogno, tudo madeira de lei. Às vezes procuro mais, às vezes dou sorte e encontro logo".

Como não poderia deixar de ser pra estar aqui nesta página do Caravana da Aventura, Pica-pau é muito preocupado com o meio ambiente. Diz que aprendeu a agradecer a mãe natureza por tudo que ela dá a ele, afinal é dela que vem o sustento de sua família, que não é pequena (são seis filhos).

Como exemplo de cidadão, o artesão separa todo o lixo reciclável, “porque uma parte do meu sustento vem da venda desse lixo", avisa. Ele faz compostagem do lixo orgânico e depois distribui adubo para amigos, vizinhos, ou até usa para plantar uma árvore num terreno, ou cuidar de alguma outra que não está muito boa.

Até mesmo as sobras de seus trabalhos, as serragens, são reaproveitadas. “A serragem eu dou para um rapaz colocar no estábulo para o cavalo dele não dormir no chão frio, já as lascas eu repasso para quem quiser, pois podem ser usadas em vasos de plantas."

Como um bom apaixonado, Amilton tem mesmo é vontade de passar seu conhecimento para frente. “Todo mundo poderia se unir pela mãe natureza, igual fazem durante a Copa do Mundo, todos num só pensamento. Assim o mundo seria bem melhor”, afirma. “Tenho muita vontade também de dar aula de artesanato, de graça mesmo, para que as pessoas possam se encontrar na arte como eu me encontrei."

Apesar da vida ainda difícil, alguns progressos já foram conseguidos. Atualmente, uma decoradora e um escritório de arquitetura e decoração vendem aos seus clientes os trabalhos do artesão. "Quero ser reconhecido como artista. Desejo formar meus filhos e me formar em uma faculdade de arte. Com sou auto-didata, acho que sou menos reconhecido, as pessoas preferem quem tem diploma, então vou terminar meus estudos e partir pra uma faculdade."

Quem quiser conhecer pessoalmente o trabalho de Pica-pau, basta procurá-lo na Avenida do Cursino, 4919, ou ligar para (11) 7140-9963. Mas se quiser encomendar alguma peça, é preciso calma... “Tem um cliente que esperou mais de seis meses para eu pegar sua encomenda, pois anoto o nome numa lista e faço o trabalho quando encontro a madeira certinha para aquilo que a pessoa pediu." Coisas de artesão...

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Comentários

  • constantino
    constantino
    27 Junho 2011 at 20:04 |

    Amiltom, Pica-pau "vai em frente meu irmão c/esta inteligência q Deus te deu, niguém conseguirá te barrar"!!!

  • Edu Benevides
    Edu Benevides
    28 Junho 2011 at 09:34 |

    Demoro!!! já adqueri produtos deste artista, muito bom e pouco reconhecido. mas sou testemunha da sua abilidade e sua responsabilidade ambiental, tirando lixo das ruas e transformando em arte. Reconhecer quem faz o bem é obrigação de todos nós.

  • fatima
    fatima
    01 Julho 2011 at 21:32 |

    è isso ai pica pau o seu trabalho e sua luta vivenciei de perto sei que vai conseguir chegar lá, porque talento deus te deu, preguiça você não conhece, simplicidade é seu lema então só lhe resta a vitória, siga em frente que vai conseguir, boa sorte!

  • José
    José
    03 Julho 2011 at 16:27 |

    MORO BEM PERTO DE ONDE ELE REALIZA OS TRABALHOS E SEMPRE QUE VEJO FICO IMPRESSIONADO COM O TALENTO QUE ELE POSSUI, QUE DEUS CONTINUE DANDO INTELIGENCIA PARA VOCÊ!!

  • ZELÃO
    ZELÃO
    11 Julho 2011 at 17:58 |

    É ISSO AI AMILTON VOCE É UM GUERREIRO MESMO, CRIAR SEIS FILHOS EM SÃO PAULO, VIVENDO DE ARTE E NÃO DESISTIR DO SEU SONHO SÓ PODE SER COISA DE DEUS!!!! PARABENS PELOS SEUS TRABALHOS E SUA DETERMINAÇÃO
    UM ABRAÇO ZELÃO

  • ANTONIO CARLOS
    ANTONIO CARLOS
    01 Setembro 2011 at 17:56 |

    conheço esse artista e a procupação pelo meio ambiente
    e até para o futuro nosso como será daqui a 20 anos sem floresta sem arvore é isso ai pica pau parabens pela seu talento

  • RICARDO OLIVEIRA FERNANDES
    RICARDO OLIVEIRA FERNANDES
    07 Outubro 2011 at 08:25 |

    Parabéns Pica-Pau seu trabalho é admirável e exemplar para muitas pessoas pode ter certeza,eu estive aí no seu atelier para ver de perto sua arte e fiquei impressionado com tudo que vi,continue assim cultuando a arte e não se vendendo por qualquer trocado pois a dignidade de um artista não tem preço boa sorte e até logo.

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