Costa da África ocidental em perigo
Foto: Annais Ferreira
O nível do mar tem subido todo ano na costa africana
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Costa da África ocidental em perigo

Quarta, 05 Outubro 2011 13:10
Caravana da Aventura | Das agências

O nível do mar na Costa do Marfim e em outros países da África ocidental subiu outra vez o que preocupa as autoridades locais

O nível do mar na Costa do Marfim e em outros países da África ocidental subiu novamente este ano, destruindo casas e a infraestrutura em geral da região. A busca por soluções efetivas demora e a erosão da costa se acelera. Há muito tempo, no terceiro trimestre de cada ano ocorre uma elevação do nível do mar no Golfo da Guiné. Em Abidjã, principal cidade marfinense, várias casas foram destruídas e dezenas de famílias ficaram sem teto no mês passado.

O problema não se limita a áreas urbanas: não longe de Abidjã, a comunidade de pescadores artesanais em Grand-Bassam perdeu muitos equipamentos, o que afetou gravemente sua subsistência. Já a capital da Mauritânia, Nouakchott, sofreu grandes inundações e algumas estimativas indicam que 80% da cidade estará debaixo d’água até 2020.

Milhares de quilômetros na costa de Cotonu, centro econômico de Benin, também sofrem erosão. Um artigo do jornal “Nouvelle Expression” questionou o governo por não salvar a costa e documentou a inundação em várias partes do leste da cidade. Há um projeto em andamento para construir sete novas barreiras contra a água em volta de Cotonu, bem como para reabilitar a barreira existente de Siafato, que já foi ampliada de 220 para 260 metros.

Ação humana

A mudança climática é um dos fatores que causam a elevação do nível do mar, mas outras atividades, como a extração não regulada de areia e a destruição de manguezal têm um papel importante em toda a região. Na Costa do Marfim, especialistas dizem que é preciso reabrir a desembocadura do Rio Comoé. Com de 813 quilômetros de comprimento, este rio nasce entre as cidades de Banfora e Bobo-Dioulasso, oeste de Burkina Faso, e flui através da Costa do Marfim de norte a sul antes de alcançar a lagoa Ebiré, próximo de Abidjã.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) observou que as respostas dos governos só tiveram o efeito de retardar ou deslocar um processo de erosão que se intensificará. Em uma reunião de ministros do Meio Ambiente da África ocidental realizada em maio passado em Dacar, no Senegal, a UICN destacou a necessidade de dar respostas mais sustentáveis.

No mesmo encontro, sete países costeiros, da Mauritânia, no oeste, a Benin, no leste, acordaram a criação de um observatório costeiro na África ocidental para reduzir os riscos relacionados com a erosão marinha. Os governos também reconheceram que a maioria dos métodos efetivos para estabilizar a costa inclui a proteção e extensão da infraestrutura natural, como mangues, dunas costeiras e lagoas.

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