Shanghai (China) / Konstantinos Kazantzoglou
Foto: Konstantinos Kazantzoglou
Shanghai, na China, joga contra o planeta
Planeta Terra / Divulgação
Foto: Divulgação
Consumo humano já excedeu o límite para 2013
Usina / Stefan Garan
Foto: Stefan Gara
Usinas espalhas pelo mundo retratam o consumismo
Compartilhe

Planeta já está no vermelho

Segunda, 02 Setembro 2013 15:04
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Biólogo e repórter do Caravana alerta: o planeta já ultrapassou a capacidade de renovação a que tinha direito no ano

O planeta terra já atingiu o Overshoot Day, que pode ser traduzido como Dia da Sobrecarga da Terra. Ou seja, o consumo humano excedeu o orçamento do planeta previsto para 2013.

Sim, de 1 de janeiro a 20 de agosto, ainda longe de acabar o ano e com muitas datas que incentivam o consumo desenfreado pela frente, a humanidade conseguiu gastar tudo o que podia e ultrapassar a capacidade de renovação da natureza para o ano.

Desta forma precisaríamos de um planeta e meio para satisfazer os anseios de consumo de uma sociedade cada vez mais presa ao lema “ter para ser”.

Para fazer o cálculo e chegar à data, a Global Footprint Network – GFN (Rede Global da Pegada Ecológica) faz o rastreamento das demandas da humanidade por recursos naturais e compara com a capacidade da natureza de repor esses recursos e absorver os resíduos.

Em 1961 a humanidade utilizou somente dois terços dos recursos naturais disponíveis no planeta. Mas em nove anos, em 1970, com o crescimento da população mundial e, consequentemente, da demanda humana por recursos naturais começamos a operar no vermelho.

A data tem chegado cada vez mais cedo.  No ano passado, o Overshoot Day aconteceu no dia 22 de agosto, já neste ano entramos no vermelho dois dias mais cedo. Segundo a GFN, no ritmo em que estamos precisaremos de dois planetas para dar conta dos gastos que teremos até 2050.

Apesar de parecer papo de “ecochato alarmista”, a preocupação é de grande valia, afinal é justamente por não dar tempo para a natureza se recompor que reduzimos drasticamente nossas florestas, diminuímos nossa biodiversidade, os recursos pesqueiros diminuem a cada temporada, os solos ficam mais pobres, o que faz com que a produção de alimento diminua, tornando os cultivos cada vez mais caros e menos acessíveis.

Leia mais: Educação ambiental é vital

Para quem só consegue enxergar cifras, isso tudo atrapalha as cadeias produtivas e causa danos à economia. Para aqueles que ainda têm amor ao próximo mais do que pelos seus veículos potentes, smartphones e compras exageradas, vale lembrar que atualmente dois bilhões de indivíduos não conseguem sequer satisfazer suas necessidades básicas.

O Brasil graças as suas grandes reservas naturais ainda está em crédito e consome menos recursos do que seu ecossistema oferece, mas não devemos relaxar, pois essa biocapacidade per capita já caiu pela metade entre 1970 e 2007 e, assim como no restante do planeta, tende a continuar em decadência.

O Japão está entre os mais gastões e, atualmente, consome recursos naturais equivalentes a 7,1 japões, já a Arábia Saudita consome 6,4 arábias sauditas e a Alemanha 2,5 alemanhas.

Diante da realidade não há muito o que se fazer. Ou mudam as relações de consumo e os modelos econômicos ou, em breve, o planeta entrará em colapso. Porém, acho pouco provável que este cenário mude e creio que o número de dois milhões de miseráveis vai continuar a aumentar para que possamos manter os luxos do modelo adotado atualmente.

Leia também

Comentários

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x