Caravana convida: Vamos refletir?
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Rio+20 terá como palco a Cidade Maravilhosa
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As hidrelétricas são sempre alvo de polêmicas
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As cavernas sofrem com o assédio do homem
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A Rio+20 vai debater os problemas do meio ambiente
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A erradicação da pobreza está na pauta da Rio+20
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Caravana convida: Vamos refletir?

Quarta, 30 Maio 2012 15:19
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Na Semana do Meio Ambiente, artigo do biólogo e repórter Eduardo Bernardino pergunta: "Economia verde: Ela te inclui?"

Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), chamado “Economia verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”, o Brasil está em posição de destaque na construção de uma economia verde e erradicação da miséria. Uma boa notícia, já que estamos muito perto do Dia do Meio Ambiente e da Rio+20.

No dia 5 de junho, comemora-se do Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi criada em 1972 devido à conferência das Nações Unidas que tratou de assuntos ambientais globais. Segundo o (PNUMA), a data serve para “mostrar o lado humano das questões ambientais, capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável, promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais, e advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero”.

Ótimo, tudo isso é lindo, mas deveria ser feito todos os dias, em todos os lugares. Infelizmente, não são as reuniões políticas, que tratam de interesses puramente econômicos e acordos entre amigos, que vão fazer algo que pode realmente mudar a relação do ser humano com o planeta.

Este ano, no Brasil, teremos a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 (este nome foi dado, pois marcam os 20 anos da Rio-92 – ou Eco-92), com o objetivo de definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Será?

Em 92, reunidos no Rio de Janeiro, os países se reuniram para discutir os problemas do nosso planeta. Os frutos deste encontro foram: a Agenda 21, que apresenta um programa de ações para ser adotado global, nacional e localmente, para incentivar o mundo todo (visando o século XXI) a seguir um novo modelo de desenvolvimento, com diferentes padrões de consumo e produção, que reduzam danos ambientais e atendam as necessidades básicas do homem; a Carta da Terra, documento que mostra que há uma ligação muito estreita entre a política, a economia e a ecologia, portanto esses três patamares devem caminhar juntos; Convenção da biodiversidade, que basicamente mostra a importância de financiamentos que ajudem a conservar a biodiversidade em países em desenvolvimento (foi assinada por 153 países, mas não pelos Estados Unidos); e o Tratado sobre mudanças climáticas, que pedia principalmente a diminuição da emissão dos gases que aumentam o efeito-estufa.

Leia mais: O que é meio ambiente?

Tudo isso mostrou uma nova maneira de olhar pra o meio ambiente, o que é ótimo, porém, mais de dez anos já se passaram do início do século XXI e o seu bairro não tem nem coleta seletiva de lixo, profissionais ligados ao meio ambiente são mal pagos, construtoras fazem/compram relatórios de impacto ambiental (a indústria do EIA/RIMA), aprovam o decreto 6640/08 dando margem para a destruição de cavernas em prol do crescimento de grandes empresários, surge a colcha de retalhos travestida de melhoramentos no código florestal, a pesquisa científica (e a educação como um todo) no país vai sendo deixada de lado, grandes áreas são destruídas para construção de hidrelétricas que causam problemas fundiários, sociais e ambientais, comemora-se o crescimento do consumo desenfreado (o cidadão do chamado primeiro mundo tem um impacto negativo sobre os recursos naturais 25 vezes maior do que aquele do terceiro mundo) etc.

Não me parece que os documentos redigidos naquela ocasião causaram um grande impacto na mente dos que governam e da sociedade civil, que em sua maior parte nem tem conhecimento sobre tais discussões.

Mais um exemplo sobre a importância que dão para a humanidade e o meio ambiente, a ONU calculou que seriam necessários 600 bilhões de dólares anualmente para combater os problemas ambientais e da miséria na Terra, mas os humanos (este que tem as necessidades básicas defendidas pela Agenda 21 e várias outros documentos) preferem gastar mais de um trilhão de dólares por ano em despesas militares.

O tema agora, 20 anos depois do marco que foi a ECO-92, é “Economia Verde: ela te inclui?”, o qual vem questionar onde esse novo modo de vida impacta no cotidiano das pessoas, em um mundo superlotado com sete bilhões de pessoas (e crescendo). E será neste encontro que vão discutir sobre a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Segundo o site oficial da conferência, o objetivo principal desta é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável.

Fiquei confuso com a palavra “compromisso”, mas isso vai ficar para a próxima conversa. Quem se interessa pelo tema sabe que ainda estamos muito longe de algo significativo, ações maquiadas de verde têm servido, na maioria das vezes, apenas para acalmar os ânimos frente às atrocidades ambientais que se tem cometido.

Provavelmente, sairão dessa conferência mais algumas ideias brilhantes que não serão respeitadas, afinal quem manda em reuniões de cúpula são os lobbys e interesses econômicos, e estes não se preocupam mesmo com esse papo “hippie” de desenvolvimento sustentável.

Deixe seu comentário abaixo, compartilhe suas ideias sobre a briga entre desenvolvimento e sustentabilidade. Você acha que a economia verde te inclui?

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Comentários

  • Alexandre
    Alexandre
    31 Maio 2012 at 15:39 |

    O R+20 teria mais crédito se gente séria participasse e organizasse..Acredito as pessoas tem boa vontade e boas ideias, agora quando tem político no meio a coisa fica complicada.

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