Caatinga, um bioma brasileiro
Foto: Lau2m
A caatinga, mesmo em clima semi-árido, apresenta biodiversidade
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Caatinga, um bioma brasileiro

Quinta, 28 Abril 2011 14:56
Eduardo Bernardino | Do Caravana

No Dia Nacional da Caatinga, o Caravana faz um alerta sobre o risco que ameaça esse bioma, presente em quase 10% do território nacional

Hoje, dia 28 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Caatinga. A grande importância desta data deve-se ao fato da Caatinga ser um bioma exclusivamente brasileiro.

A Caatinga ocupa quase 10% do território nacional e está presente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais.

É surpreendente como, mesmo em meio ao clima semi-árido, o bioma apresenta solos férteis e alta biodiversidade. A vegetação criou muitos mecanismos para resistir ao ambiente imposto pela Caatinga – como folhas finas ou inexistentes, raízes superficiais para absorver o máximo da água da chuva ou mesmo armazenando água – o que a deixa com um aspecto agressivo. Aroeira, umbu, maniçoba, juazeiro e mandacaru são espécies muito comuns da região.

Contudo, nos períodos de chuva as flores brotam colorindo toda a região que parecia quase sem vida, as folhas surgem em maior número nas árvores e até a fauna aparece em grande abundância, esta composta pelo sapo-cururu, veado-cantingueiro, tatu-peba e outros. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) já fez parte da fauna da Caatinga, mas seu último exemplar em vida livre não é mais visto desde 2002, sendo assim é uma espécie considerada extinta na natureza.

As principais ameaças à Caatinga são frutos da disseminação do atual sistema agrícola, que conta com a alta mecanização e uso de agrotóxicos, e das praticas inapropriadas para obtenção de produtos das lavouras, madeireiros e pastoris, como a irrigação de regiões desconsiderando as características do local, que substitui de forma drástica a flora e a fauna local.

Atualmente, o avanço das monoculturas (como a cana-de-açúcar), da pecuária extensiva, das queimadas e da extração de minério e madeira, ameaçam muito este bioma, que já tem 15% da sua área em processo de desertificação.

A não-defesa da Caatinga afeta indiretamente a população de mais de 20 milhões de pessoas que vivem na área do bioma. Com a destruição do bioma, destroem-se também uma parte da história do país, conhecimentos e práticas de convivência com o semi-árido passados entre muitas gerações de famílias da região.

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