Sacolas plásticas: livrem-se delas!
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Supermercados e as sacolas plásticas: dias contados
Sacolas plásticas: livrem-se delas!
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Os sacos plásticos dominam o cenário no lixão
Sacolas plásticas: livrem-se delas!
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Cidadão adere à sacola ecológica
Sacolas plásticas: livrem-se delas!
Foto: Beth Viveiros
As sacolas ecológicas jogam a favor do meio ambiente
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Sacolas plásticas: livrem-se delas!

Terça, 10 Maio 2011 13:58
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Artigo apresenta os vários tipos de sacolas plásticas existentes no mercado e a constatação de que nenhuma joga a favor do meio-ambiente

Recentemente várias medidas estão sendo tomadas para diminuir o uso de sacolas plásticas no Brasil. Na onda da sustentabilidade, cada vez mais cidades estão aderindo à abolição das famosas "sacolinhas".

O grupo Carrefour, por exemplo, anunciou que até 2014 irá acabar com as sacolas plásticas em todas as suas filiais, a maior iniciativa de uma rede de supermercados até agora.

Uma única sacolinha, ou mesmo aquelas dez onde carregamos as nossas compras e depois usamos como saco de lixo, pode parecer inofensiva à natureza, mas só no Brasil somos mais de 190 milhões de habitantes (dos quais apenas 36 milhões levam às comprar sua própria sacola) e consumimos 150 bilhões de sacolas plásticas por ano. Isso quer dizer que cada pessoa no país que não usa sacola retornável, descarta quase 1000 sacolas anualmente.

Esse número é muito alto e reutilizar as sacolas em lixeiras não é desculpa para continuar utilizando. A maioria das pessoas tem várias lixeirinhas com sacolas e depois pega todos esses saquinhos e colocam num saco de lixo grande. Saco plástico dentro de outro saco plástico é inútil e um atentado aos ideais sustentáveis.

Mas quem são essas vilãs?

As sacolinhas surgiram perto da década de 60 e chegaram ao Brasil 20 anos mais tarde. O maior problema é o fato de serem feitas, inicialmente, com material derivado do petróleo (polietileno de baixa densidade), demorarem muito pra degradar e poluírem o solo e a água, além de entupirem bueiros e córregos, aumentando o acúmulo de lixo nestes locais e piorando as enchentes.

E quais foram os tipo de plástico que surgiram para as sacolas nestes 50 anos? Algum é realmente bom e eficiente do ponto de vista ecológico?

Temos atualmente cinco principais tipos de plástico pra embalagem: o derivado de petróleo, o derivado de milho, o oxidegradável, o chamado "plástico verde" e o reciclado. Nenhum deles é completamente sustentável, mas alguns possuem características que podem ajudar o planeta.

A sacola derivada de petróleo é o mais poluente. Emite, durante sua fabricação, gases que contribuem para o aquecimento global e estima-se que levam cerca de 400 anos para se degradarem no solo.

O tempo que permanecem na natureza é preocupante pois, quando levadas para o mar, acabam matando animais que venham a ingerir o plástico confundido com alimento.

A outra opção é a sacola feita com plástico derivado do milho, que é produzida à base de amido de milho (matéria-prima biodegradável e renovável). Os fabricantes dizem que a sacola vira adubo quando é descartada, mas o material possui polímeros que também liberam gás-estufa durante a decomposição e o descarte desse material não é tão simples.

Para garantir sua degradação em um prazo máximo de seis meses, as sacolas de milho teriam de ser mandadas para aterros especializados, com luz e temperatura adequadas e que garantisse uma população de microorganismos especiais que fizessem o trabalho de decomposição. Além do mais, neste caso, estaríamos plantando para produzir sacolas e não alimento.

Já o plástico oxidegradável, apesar do nome bonito e das promessas de que ele se dissolve e some com o tempo, também não é amigo do meio ambiente. Ele é feito a partir do petróleo, com a diferença de carregar aditivos em sua fórmula que aceleram a degradação do material. Ou seja, o plástico vira pó. Isso, em vez de diminuir, aumenta o problema, já que o pó é carregado pelo vento e acaba poluindo áreas ainda mais distantes do local de descarte.

Por outro lado, o plástico verde é uma ideia bem interessante. Ele é feito a partir da cana-de-açúcar, ou seja, a matéria prima é inesgotável, além de captar carbono na atmosfera durante o crescimento. Porém, as áreas de plantio da cana tomariam terras que podem ser usadas para cultivo de alimentos, ou, a partir do crescimento da demanda, aumentariam as áreas de desmate ilegal para implantação de novas lavouras.

O plástico reciclado tem a vantagem de não usar recursos não renováveis na sua produção, porém são produtos de sacolas que utilizaram esses recursos anteriormente. Sendo assim, quando descartados são tão impactantes quando aquelas sacolinhas tradicionais derivadas do petróleo.

Enfim, a mudança de comportamento do consumidor não vai ocorrer da noite pro dia, mas, por mais difícil que seja, precisamos nos reeducar e aprender a viver o mais longe possível das tão cotidianas sacolas plástica.

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Comentários

  • Renato
    Renato
    10 Maio 2011 at 15:45 |

    você disse: "... poluírem o solo e a água", mas como é possível isso se nossa comida e bebida é embalada em plástico justamente por ser esse produto INERTE e servir de BARREIRA contra micro-organismos??? Se o plástico protege meu alimento, que mal ele irá fazer no solo??? O plástico NÃO é o vilão, é nosso aliado, o problema está no mal destino que damos aos nossos resíduos sólidos.

  • Amanda Almeida
    10 Maio 2011 at 16:52 |

    Aqui em BH as lojas e supermercados já estão proibidos de fornecerem as sacolinhas. Apesar de aprovada, a lei ficou 2 anos aguardando a adaptação de clientes e supermercados. Mas ainda assim, a reclamação por parte dos clientes é grande.

    As pessoas não conseguem entender que é muito mais fácil levar suas sacolas retornáveis, que isso vai favorecer e muito o meio ambiente. Preferem discutir, brigar, reclamar. Os supermercados estao vendendo as sacolinhas oxibiodegradáveis por R$0,19, preço de custo. Mas como vc disse, ainda não é ideal.

    Lá em casa, há mais de 3 anos a gente deixa sacolas ecológicas no carro e nas bolsas, sempre recusando as sacolas. E os próprios funcionários, até depois da lei aprovada, olhavam pra gente com cara de espanto.

    Difícil mudar a cultura de um povo que só pensa em si e nada no meio em que vivemos.

  • Rafael
    Rafael
    13 Maio 2011 at 16:48 |

    concordo com a Amanda... a grande dificuldade não é só tecnológica... eu diria que não passa nem pelo campo da tecnologia. O problemão é a educação que não é dada só nas escolas mas em qualquer lugar, o cultivo de uma noção de que se consumirmos mais seremos mais felizes. A sacolinha em si não é o objeto de consumo, mas é sempre aquilo que serve de suporte pros nossos artigos 'de luxo'.
    infelizmente, como é dito no texto, não é algo que mude da noite pro dia com a simples invenção de tecnologia 'plástica'. E acredito que não há uma solução mágica, mas com pequenas mudanças como a aquisição de sacolas retornáveis e uma outra forma de descartarmos lixo já seria de grande ajuda.

  • Renata
    Renata
    13 Maio 2011 at 17:32 |

    Desculpa meus caros mas vou ter que discordar do meu Xará ai em cima... Mas de INERTE o plástico não tem nada!
    Se formos colocar na balança o plástico traz mais malefícios do que benefícios. Mas acho que acabar definitivamente com o plástico em si (não somente as "benditas" sacolinhas) é um pouco utópico, mas pra tudo há uma solução como por exemplo os plásticos biodegradáveis, assim como foi explicado (das sacolinhas oxibiodegradáveis) pela colega acima. Tudo que é artificial não é natural e, portanto, a natureza não consegue identificar para metabolizar o produto. Por isso é que o plástico vai durar 400 anos. Só pra terem uma idéia do tamanho do problema em Abril, o governo do Canadá surpreendeu com a medida de proibir a comercialização de mamadeiras de plástico duro, que possuem a substância Bisfenol A.
    Cientistas já detectaram que as substâncias, assim como outras resinas de plástico, geram malefícios ao meio ambiente e, principalmente, à saúde humana. O Bisphenol A – causa de problemas no sistema hormonal de animais – e as substâncias conhecidas como oligômeros à base de poliestireno, que não existem na natureza. Hoje por exemplo no mundo, a quantidade de espermatozóides que os homens estão produzindo é 40%, 50% a menos do que os homens que têm 50,60 anos, produziam anteriormente.
    Este é um aspecto que se tornou uma grande questão no mundo porque essas substâncias no caso do Bisfenol A, que imita o hormônio feminino, estão causando uma série de problemas não somente na fertilidade, no aparecimento de câncer testicular, inclusive do câncer de próstata e de outros tipos em homens, mas inclusive doenças nas mulheres, que há 20, 30 anos eram quase totalmente desconhecidas, como o caso da endometriose [doença que causa infertilidade]. O que tem hoje de casos de mulheres jovens que estão aparecendo com endometriose, câncer de mama e outras coisas é impressionante. E os médicos, ao se perguntarem como é que estava acontecendo isso, foi que acabaram chegando a essas substâncias. E olha que falo c/ conhecimento de causa, já vi na clinica mulheres com apenas 25 anos com falência ovariana precoce, ou seja seus ovários pararam de produzir ovulos, não podem ter mais seus tão sonhados filhos.
    Quando for ao o supermercado e comprar tudo embrulhadinho com aquele papel-filme, a resina plástica chama-se PVC. No entanto, para que o PVC tenha aquela característica, sem ser dura como o cano plástico, esse branco que se usa para água ou esgoto, a indústria então acrescenta essas substâncias, nesse caso o fitalato, que dá essa característica de flexibilidade. Infelizmente isso não está escrito em lugar algum. E se nós não tivermos acesso. Assim como fomos condicionados a consumir tudo isso sem perguntar, agora teremos que ter outro jeito de nos colocarmos.
    Tem tambem o problema com os animais, saquinhos plásticos no mar são confundidos por peixes e, principalmente, pelas tartarugas marinhas como águas vivas, um de seus alimentos. Assim ao ingerir o saquinhos as tartarugas morrem por obstrução do aparelho digestivo. Se você tiver oportunidade de um dia visitar o Projeto Tamar, verá que lá estão expostos vários cadáveres de tartarugas que morreram desta forma. Fora as zonas mortas que crescem a cada dia no oceano, e trilhas e mais trilhas de lixo plástico carregadas por correntes maritimas. Ta na hora de nos refletimos ate quando vamos destruir nosso planeta pra que nossa zona de conforto continue estável? Ate não haver mais nada a ser destruído? Quando todas as fontes naturais estejam esgotadas? Ta na hora da população tirar a viseira de cavalo que nos foi imposta pelo consumismo e pelo comodismo e fazer algo que valha a pena enquanto é tempo.
    "Quando a última árvore tiver caído,quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado,o homem vai entender que dinheiro não se come"

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