Rua 25 de Março, em São Paulo
Foto: Rafael Cassimiro
O consumismo joga contra a sustentabilidade
Os lixões nos grandes centros
Foto: Carla Souza
O lixo é um problema nas grandes cidades do mundo
O acúmulo irresponsável de lixo
Foto: Marcbraz
O consumismo gera acumulo de lixo eletrônico
O consumismo nos levará ao caos
Foto: Juliano Dip
O lixo descartado de forma irregular nas ruas da cidade
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O consumismo nos levará ao caos

Terça, 21 Junho 2011 11:19
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Artigo revela os riscos do consumo exagerado e o preço que o planeta terá de pagar devido à falta de conscientização da população mundial

Hoje, pouco tem sido feito em prol da diminuição do consumo. Muito pelo contrário, cada vez mais se fala em consumir para a economia crescer, consumir para gerar emprego, consumir para alcançar nosso ideal de vida confortável, consumir para se atualizar no meio tecnológico, consumir pra ser feliz, consumir, consumir... E consumir! Mas qual é o custo desse ritmo alucinado de consumo para satisfazer nossos hábitos cotidianos muitas vezes irresponsáveis?

Obviamente não podemos demonizar o consumo, é praticamente impossível deixar de comprar, mas consumir deve gerar reflexão para evitar exageros e até mesmo para cobrar dos fabricantes e distribuidores atitudes mais sustentáveis.

Muita gente sonha com o modo de vida dos norte-americanos. Eles contam com apenas 5% da população mundial, mas são responsáveis por 32% do consumo, e não são todos que consomem loucamente, ou seja, os que consomem mais consomem muito.

Segundo o relatório “State of the world 2010”, da Worldwatch Foundation, se o mundo todo tivesse os hábitos de consumo dos norte-americanos, o planeta terra seria capaz de comportar, de forma adequada, 1,4 bilhão de pessoas. Ai está um dos problemas, pois hoje somos 6,6 bilhões.

E falando em população, vale uma pausa para refletir sobre a explosão demográfica, assim ficará mais fácil entender porque os padrões de consumo precisam ser revistos.

O crescimento populacional durante a Idade Média era bem reduzido, muitas vezes ocorria até a diminuição da população por causa das pestes, que matavam um elevado número de pessoas.

No século XVIII as guerras e epidemias ainda regulavam as populações humanas, mas com a diminuição dos combates e avanços da medicina as mortes foram reduzidas, levando novamente a um aumento mais acentuado da população.

Mais tarde, já no século XIX a industrialização, o desenvolvimento do controle de doenças, a melhoria das condições de higiene, a queda do período médio do casamento, as novas tecnologias, suprimentos alimentares mais confiáveis, entre outros fatores, contribuíram para uma explosão demográfica nunca vista.

Por volta do ano 1000 éramos aproximadamente 300 milhões. Já no início da revolução industrial, pulamos para 500 milhões. Avançamos para um bilhão em 1850 e, em 1930, alcançamos dois bilhões. E hoje, 81 anos depois, mais que triplicamos, sendo 6,6 bilhões de pessoas.

Com a taxa de crescimento atual, teme-se que a população mundial dobrará em menos de 40 anos.

Consequências e possibilidades

Um crescimento tão rápido cobra seu preço. Para sustentar tanta gente precisamos de mais recursos naturais para ampliar cidades, construir moradias, produzir de alimentos e combustíveis, fabricar bens de consumo...

E indagações assim não devem ser encaradas como uma intenção minha de promover uma abertura da temporada de caça à espécie humana, tampouco a extinção das cidades. O desafio aqui é transformar as regiões, inclusive os grandes centros, em locais sustentáveis. Mas como fazer isso?

Antes de qualquer coisa precisamos ter a consciência que devemos fazer a nossa parte. De nada adianta bradar aos quatro cantos frases bonitas sobre o meio ambiente e não tomar nenhuma atitude eficaz para a diminuição do consumo pessoal e consequente geração de resíduos. É muito mais fácil falar do que posicionar-se e tomar atitudes, muitas vezes abrindo mão de certos confortos da vida moderna.

Nossas atitudes movimentam o mercado de consumo. Você precisa realmente trocar de telefone celular a cada novo lançamento? Para se ter uma ideia do estrago causado quando muita gente pensa desta forma, vão alguns dados para reflexão:

Em 2007 foram vendidos 1,2 bilhão de celulares no mundo. Neles foram usados 300 toneladas de prata, 29 toneladas de ouro, 11 toneladas de paládio, 11 mil toneladas de cobre e 4,5 mil toneladas de cobalto nas baterias de lítio, sem contar o alumínio, o cádmio, o PVC, o chumbo, o mercúrio, a energia para transformação de cada minério, a poluição causada pelo transporte, e mais tarde a poluição causada pelo tratamento irregular dado ao lixo eletrônico.

Esse é o exemplo do telefone celular, porém tal mapeamento deve ser feito também com televisores, computadores, tablets, fogões, geladeiras, sofás, roupas, alimentos, enfim, tudo aquilo que consumimos.

Finalizando: O consumo não é uma doença, é apenas um sintoma da vida moderna e dos anseios das pessoas em alcançar os valores criados pela publicidade. Para tratar o sintoma, só existe uma saída: conscientização.

Comentários

  • SOCORRO GONÇALVES
    SOCORRO GONÇALVES
    29 Outubro 2012 at 18:52 |

    O Consumo consciente faz bem para o planeta, pode ajudar as pessoas a praticarem a solidariedade e preocupação uns com os outros, além de contribuir para o equilíbrio financeiro e padráo de vida sustentável.

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