Carnaval carioca /  Comlurb
Foto: Comlurb
Garis em ação após a noite do desfiles no Rio
Lixo / Secom Bahia
Foto: Secom Bahia
Na Bahia, toneladas de lixo são recicladas todo ano
Lixo / Sergio Pereira
Foto: Sérgio Pereira
Foliões invadem as ruas do Rio para festejar o Carnaval
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Carnaval x Lixo: Nada a ver!

Quarta, 13 Fevereiro 2013 14:45
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Passado o Carnaval, as capitais brasileiras contabilizam toneladas de lixos, provando que os foliões jogam contra o meio ambiente

Passado o Carnaval, ainda restam os resultados. Comemorações das escolas campeãs, corpo e mente relaxados daqueles que fugiram da folia, contabilidade dos lucros das cidades turísticas, tudo isso é comemorado. Mas um número que aparece todos os anos de forma alarmante e é esquecido pela maioria chama-se pesagem do lixo recolhido durante o feriado.

Em um artigo do início do ano passado alertei sobre as preocupações com o meio ambiente durante grandes comemorações, em especial o carnaval.

O lixo vem de todos os lados: das escolas de samba, dos foliões menos conscientes, dos cruzeiros... Só para lembrar alguns dados de carnavais anteriores, em 2011 a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) afirmou ter recolhido cerca de 900 toneladas de lixo produzido durante o Carnaval do Rio de Janeiro.

No mesmo ano foram recolhidas mais de 1300 toneladas de lixo em Salvador, que também gastou mais de seis milhões de litros de água e 7500 litros de aromatizantes para amenizar o mau cheiro na capital baiana, causado principalmente pelas pessoas que esquecem os bons modos e utilizam as ruas como banheiros.

Este ano, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, a companhia de limpeza da cidade recolheu mais de 350 toneladas de lixo. Nas ruas foram recolhidas mais 300 toneladas de detritos, deixados como rastros dos blocos e festividades de rua.

Mas ainda não podemos comemorar a redução, por dois motivos: primeiro porque a contagem somou apenas os três primeiros dias de festas, que ainda vão se estender até o próximo domingo, dia 17, e segundo porque 600 toneladas de lixo é ainda um número muito alto.

Algumas escolas já mostram preocupação com o meio ambiente, como a Mocidade Independente de Padre Miguel, que usou carros alegóricos movidos a biodiesel.

Organizações não governamentais também trabalham para tentar diminuir os prejuízos ambientais carnavalescos, como a ONG Doe Seu Lixo, que coletou cerca de oito toneladas de materiais recicláveis durante os 14 desfiles de 2012, e o projeto Ecofolia Solidária, que coletou mais de 65 toneladas de lixo reciclável e beneficiou mais de três mil catadores que sobrevivem da venda destes materiais em Salvador.

Porém, todos os esforços dispendidos até agora ainda mostram-se muito pequenos frente ao crescente número de turistas que invadem as cidades mais famosas por suas festas de carnaval. A falta de investimento em conscientização, organização e infraestrutura e à falta de educação de muitos que participam da folia são outros fatores que jogam contra a natureza.

Infelizmente, enquanto não forem tomadas medidas eficientes por parte de todos os envolvidos, esta que é uma das maiores e mais belas festas populares do planeta continuará a carregar em seu currículo o peso dos danos ambientais e terá seu brilho ofuscado.

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