Piquenique / Miolo
Foto: Miolo
Os piqueniques em meio à natureza são raros
Ecoturismo / Fotolia
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As pessoas têm optado menos pelos passeios ao ar livre
Transito / Leandro Siqueira
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O trânsito é encarado até nos fins de semana
Caminhada / Fotolia
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Caminhadas compõem uma vida de aventura
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Ouse, aventure-se!

Terça, 07 Agosto 2012 14:16
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Artigo condena a postura das pessoas de cada vez mais optarem por viver uma vida de rotina, abrindo mão da vida ao ar livre, dos cenários naturais. Mude, ouse, aventure-se!

“Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo... Tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro. A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura.”

Com esse trecho de uma carta de Chris McCandless, personagem principal do livro Na natureza selvagem, pergunto: Onde foi parar o espírito de aventura das pessoas?

Não estou falando de ir para o Alasca sozinho, atravessar desertos, chegar aos cumes mais altos do planeta motivado apenas pelo espírito de aventura. Refiro-me a qualquer tipo de aventura: fazer uma trilha perto de casa, conhecer uma praia afastada, subir uma montanha de fácil acesso, qualquer coisa que nos leve para mais perto da natureza, do nosso ambiente.

Ultimamente parece não haver nem vontade de buscar essas sensações, digamos, mais primitivas, de sentir as plantas, a terra, de se sujar, desafiar os próprios limites. Passam-se horas a fio em frente aos computadores e televisores durante os dias “úteis”, inclusive nas horas fora do expediente comercial, e quando chega o final de semana, retomam a rotina em frente aos computadores e televisores.

Ainda que as pessoas viajem, a maioria está longe de entrar em contato mais intensamente com a natureza e diferentes culturas. Uma das maiores preocupações de muitos viajantes ao procurar um lugar para se hospedar é perguntar: “tem internet?”, ou, se vai para um ambiente mais rústico, “será que lá tem sinal 3G (internet sem fio)?”

E o mau humor impera ao descobrir que o “progresso” ainda não chegou naquele pico onde desejava ficar hospedado. Afinal, se não for pra compartilhar a viagem em tempo real nas redes sociais, por que alguém viajaria? Triste isso...

A dependência dos costumes urbanos é cada vez maior. O ser humano cada vez menos consegue se desvencilhar do mundo que o cerca e aprisiona e, talvez cansado de tentar lutar contra o marketing ao seu redor, sucumbe à pressão e se deixa englobar.

Façamos um exercício mental: Vamos imaginar uma pessoa que adorava brincar no gramado e correr descalça quando criança, tocar as plantas para sentir quantas diferentes texturas a natureza é capaz de produzir, sentir o cheiro das flores, da terra...

Mas a mesma foi crescendo e descobrindo que não deveria se sujar mais, pois deveria andar calçada, pois o chão está cheio de micro-organismos maléficos e, por isso, deve usar um sabonete antisséptico e por aí vai...

Onde foi parar a curiosidade desta pessoa, que certamente optará pelo conforto do restaurante e será contra qualquer ideia de piquenique em meio à natureza?

Está mais do que na hora de resgatar os sentimentos da infância, as sensações dos pés sujos, das descobertas, das vivências, dos machucados.

É preciso incentivar as pessoas próximas a pararem de se trancar e colocar a cara pra fora de casa e do carro, sentir o sol, a brisa, a água gelada que brota de alguma fenda parecendo mágica.

É preciso reencontrar o prazer da vida ao ar livre, sem água aquecida e discussões vazias das redes sociais, do sensacionalismo televisivo, dos congestionamentos, da poluição e de todas as outras mazelas que o desenvolvimento e a globalização impuseram à sociedade.

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