Viajar é muito bom. Respeitar o destino é melhor ainda...
Foto: Felipe Katsumata
Destinos de praias ficam abarrotadas nos feriados
Viajar é muito bom. Respeitar o destino é melhor ainda...
Foto: Roberto Viana
Já o Carnaval baiano arrasta multidões ao estado
Compartilhe

Viajar é muito bom. Respeitar o destino é melhor ainda...

Terça, 26 Julho 2011 13:45
Eduardo Bernardino | Do Caravana

Artigo alerta para a superlotação de alguns destinos e o que este assédio desmedido reflete de negativo para o meio ambiente local

Quando pensamos em viajar, pensamos em muitos detalhes, onde vamos ficar, quanto dinheiro gastaremos, quais são os pontos turísticos do local, onde vamos comer, o que faremos durante nossa estada… mas muita gente se esquece de uma pergunta importantíssima: "será que tem muita gente que vai pra lá nesta data?"

Você pode até não se importar de ficar se acotovelando para conseguir seu lugar ao sol (ou à sombra), mas o ambiente se importa. E muito. Quando falo em turismo sustentável, abordo muitas coisas que devem ser levadas em consideração antes de seguir para algum destino, afinal, tudo tem limite, inclusive o meio ambiente e as pessoas que vivem nas cidades turísticas. Um destino sustentável tem seus atrativos socialmente justos, ambientalmente adequados e economicamente viáveis.

O limite de um local é dado pela capacidade de carga que ele apresenta. A Organização Mundial do Turismo (OMT) definiu há dez anos a capacidade de carga como "o máximo de uso que se pode fazer de um local sem que sejam causados efeitos negativos sobre seus próprios recursos biológicos, sem reduzir a satisfação dos visitantes e sem que se produza efeitos adversos sobre a sociedade receptora, à economia e à cultura local", ou seja, em linhas gerais, é o número de visitas que um local pode receber antes que ocorram impactos negativos ao meio ambiente e na aceitação por parte da comunidade que recebe o turista.

Se essa capacidade é ultrapassada, causa danos ambientais (que podem ser irreversíveis), deixa o turista desconfortável e provoca o declínio das atividades no local, prejudicando economicamente aqueles que vivem do turismo.

Se essa sobrecarga continuar, o ambiente vai se degradar cada vez mais rápido e os moradores locais param de aceitar bem os turistas, uma vez que, com a desordenação da visitação em determinado local, o turista acaba sendo responsabilizado pela agressão ao meio, à cultura local e por impedir (ainda que involuntariamente) a frequência tranquila dos moradores locais ao lugar que lhes pertence.

Pra se ter uma ideia, em relação ao meio ambiente, o turismo desordenado pode causar compactação do solo, processos erosivos, fuga da fauna silvestre, aumento da incidência de pragas nos vegetais, poluição de corpos d'água, incêndios, fixações e destruição de patrimônios geológicos e arqueológicos, entre muitos outros problemas.

Com a atividade turística crescendo anualmente muito tem de ser feito para que se garanta a sustentabilidade das atividades. Infelizmente uma parte muito pequena do poder público tem investido em ações efetivas que não deixem o espaço físico e sócio-cultural serem degradados.

Uma das principais atitudes para garantir a sobrevivência das localidades é por meio do cálculo da capacidade de carga e de um plano de manejo. Porém, enquanto isso não é feito, nós, frequentadores, podemos fazer a nossa parte planejando melhor nossas viagens e atitudes.

Que tal, na alta temporada, ir a um lugar menos explorado, mas com boas condições de visitação? Os locais mais badalados podem ser visitados na baixa temporada, pois com certeza você vai aproveitar muito mais, fazer fotos mais bonitas, pagar mais barato, ter mais contato com a cultura local e ainda contribuir com a diminuição do desgaste ambienta.

Quando for viajar novamente, pense nessas dicas e pense em cada atividade que pretende realizar no local. Desta forma você conseguirá avaliar melhor suas ações.

Boa viagem a todos!

Leia também

Comentários

Comente

Comente como convidado.

Cancelar Enviando comentário...
x